Era uma vez o Holter tradicional

(por Luiz Souza, de Porto Alegre, RS)

Foi desenvolvido no Brasil, por brasileiros, um pequeno equipamento que, levado num cinto pelo paciente, a exemplo dos agora antigos holters, detecta e identifica problemas cardíacos assintomáticos segundo a percepção do paciente-portador. O Hospital do Coração de São Paulo vinha testando aparelhinho e acaba de divulgar não só os resultados mas toda a tecnologia embarcada nele.

De tamanho semelhante a um celular, no entanto, vai muito além do holter tradicional no que diz holterrespeito agilidade na obtenção dos resultados do exame e também nas funções desempenhadas. Uma vez afixado no paciente, passa a transmitir em tempo real para o hospital ou serviço que o esteja monitorando, o comportamento cardíaco do paciente. Nos computadores da clínica ou hospital em ação dentro sistema, o médico recebe os traçados do exame, esteja onde estiver o paciente através da www, constata e identifica as alterações do ECG e, por um sistema de viva-voz conversa com o paciente, questionando sobre eventuais esforços não aconselháveis naquele momento, sintomas observados e questiona também sobre o rigor na ingestão das medicações prescritas, etc. Na sequência passa as orientações para o paciente.

Realmente estamos diante de um diferencial incrível deste sistema em relação aos monitores cardíacos tradicionais, pois se trata de um monitor inteligente, que até faz diagnóstico e detecta e avisa sobre as falhas observadas, sem o antigo transcurso de 24 horas, voltar ao consultório no dia seguinte, dar tempo ao médico para a análise e só então detectar algo que pode ter ocorrido horas antes. O médico, na verdade, pode tomar conhecimento tardiamente de algo que deu errado ao longo das 24 horas do exame, quando já não há nada que possa ser feito. Com o novo sistema ele, médico, pode interferir e salvar muito mais vidas porque detecta o problema numa fase muito precoce, antes mesmo que o próprio paciente o perceba e possa relatar naquela folhinha de relatório que costuma levar ao médico junto com o equipamento tradicional os sintomas observados.

O diagnóstico preciso e a agilidade no socorro são vitais para reduzir os óbitos em cardiopatas. Pelo lado comercial também importantíssimo, pois foi criado, aperfeiçoado e fabricado no Brasil. Depois de cinco anos de pesquisas para juntar num só equipamento várias tecnologias disponíveis e não aproveitadas totalmente para este fim, acabou se construindo um aparelho único no mundo. Além de alertar sobre o infarto ou arritmia o novo monitor detecta se o paciente foi vítima de uma queda e tem um sistema de GPS para localizar a pessoa se ela por acaso desmaiou. E se o paciente tiver condições de autonomia no momento do evento, pode acionar o botão de pânico para acionar pedido de socorro.

Como o desenvolvimento foi financiado pelo governo, tem nos postos de saúde espalhados pelo país inteiro e nos hospitais do interior, seus clientes imediatos. Mesmo sem ter um especialista e eventualmente até sem um médico, ele pode ser instalado em conexão com um hospital de referência.

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