Libbs vai erguer fábrica de R$ 200 milhões

A farmacêutica nacional Libbs vai investir R$ 200 milhões em uma fábrica para produzir medicamentos biossimilares e biológicos no país. Os aportes serão financiados, em parte, por capital próprio da companhia, além de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), afirmou ao Valor Alcebíades Athayde Júnior, vice-presidente de negócios do laboratório.

libbsA fábrica, que deverá entrar em operação entre 2015 e 2016, será erguida em Embu, Grande São Paulo, onde a companhia possui uma unidade produtora de medicamentos e outra de farmoquímicos (princípios ativos). A nova unidade deverá produzir, inicialmente, sete medicamentos biossimilares (cópias de remédios biológicos). Dois deles (rituximabe e bevacizumabe), para tratamento de câncer, deverão ser negociados para o governo federal. Os estudos clínicos do rituximabe já estão em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para dar início à produção de produtos biológicos no Brasil, a Libbs firmou parceria com a multinacional Mabxience, braço de biotecnologia da farmacêutica Chemo, de capital argentino. A múlti vai fazer a transferência de tecnologia de anticorpos monoclonais biossimilares. “Vamos começar a produzir biossimilares, mas a meta é desenvolver produtos biológicos”, disse Athayde Júnior, filho do fundador do laboratório nacional, o empresário Alcebíades de Mendonça Athayde.

No fim do ano passado, a Libbs decidiu sair da Orygen, a joint venture firmada com os laboratórios nacionais Biolab, Cristália e Eurofarma para a produção de biossimilares no Brasil. Segundo Athayde Júnior, a empresa optou por firmar acordo estratégico com a Mabxience, que já é parceira de longa data da companhia nacional. A Orygen e a Bionovis (joint venture entre Aché, EMS , Hypermarcas e União Química) são as duas superfarmacêuticas criadas em 2012 com o apoio do governo federal para a produção de biossimilares no Brasil.

“A produção de biossimilares e biológicos no país vai ajudar a reduzir o déficit da balança do setor de saúde”, disse Athayde Júnior. “Com a expertise da Mabxience, poderemos até exportar os biossimilares”, afirmou. A empresa também avalia ativos internacionais de empresas com foco em pesquisa de produtos inovadores.

Com receita bruta de R$ 883,6 milhões em 2012, a empresa prevê faturamento de R$ 1,1 bilhão neste ano. Entre 2011 e o ano passado, o laboratório lançou importantes medicamentos, como o iumi (anticoncepcional), zider (mal de Alzheimer), salsep 360 (higienizador nasal) e o tacrolimo (imunossupressor), que impulsionaram suas vendas. A Libbs firmou uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Ministério da Saúde para transferência de tecnologia do medicamento tacrolimo, indicado para pacientes que realizaram transplantes de rim e fígado. “O produto é comprado pelo Ministério da Saúde e distribuído no SUS [Sistema Único de Saúde].”

Focada na produção de medicamentos similares voltados para sistema nervoso central, cardiologia, ginecologia e respiratório, sobretudo, a empresa não tem interesse em genéricos. Para este ano, a companhia prevê lançar o nactali (contraceptivo para mulheres em fase de lactação), do velija (antidepressivo), plenance (reduz colesterol) e stanglit (para diabete tipo 2). A meta para 2017 é dobrar o faturamento, para R$ 2,2 bilhões, quando parte da produção dos biossimilares estiver no mercado.

Uma das poucas empresas verticalizadas no país, a Libbs também quer elevar a produção de sua unidade de farmoquímicos – produtora de princípios ativos para medicamentos. Cerca de 40% da demanda por princípios ativos da companhia é atendida por produção própria. A farmacêutica nacional exporta para Europa. Entre os produtos estão o tibolona (para reposição hormonal), desogestrel e gestodeno, ambos para anticoncepcionais, para a Europa. As exportações representam de 5% a 10% da receita total do grupo.

Fundada há 55 anos, a Libbs é 100% controlada pela família Athayde. Apesar do forte assédio das multinacionais, Athayde Júnior disse que a família não pretende vender o controle da empresa.

fonte: Jornal Valor Econômico – matéria na íntegra

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