CÂNCER DE PULMÃO: ESPECIALISTA TIRA DÚVIDAS SOBRE SINTOMAS E TRATAMENTO

Dra Junia

Dra. Junia Thirza Gehrke

Com um diagnóstico que quase sempre é tardio e com chances de cura que chegam a 10%, o câncer do pulmão costuma ser detectado somente quando a doença já se encontra disseminada, em estágio avançado.  Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que o tabagismo, principal causa do câncer de pulmão, mate 200 mil pessoas a cada ano só no Brasil.

Aproveitando o Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado todo dia 31 de maio, para alertar à população sobre os riscos de câncer de pulmão em fumantes, a oncologista e pesquisadora clínica do Instituto de Câncer de Brasília (ICB), Dra. Junia Thirza Gehrke, alerta sobre os primeiros sinais desse tipo de câncer, que muitas vezes se confundem com doenças respiratórias. Ela também orienta sobre a queda do índice de obtenção da doença após a retirada do cigarro, podendo chegar ao mesmo de um não-fumante, o aumento de mulheres fumantes nos últimos anos e também orienta quanto aos tratamentos já existentes no Brasil.

Existe algum sintoma que pode indicar câncer pulmonar em estágio inicial? 

A maior parte dos diagnósticos é firmada quando a doença já se encontra localmente avançada e/ou disseminada, uma vez que tumores iniciais não costumam produzir sintomas que justifiquem investigação. Não existem sintomas específicos de câncer pulmonar e as manifestações se confundem com as de outras doenças respiratórias, a maioria delas também relacionadas ao consumo de tabaco, como o enfisema pulmonar e pneumonias. As manifestações mais freqüentes são: tosse, falta de ar, chiado, presença de sangue no escarro e dor no peito. Perda rápida de peso e de apetite também são sinais que devem chamar a atenção para a possibilidade de câncer. Qualquer uma destas manifestações observadas em fumantes, tanto em homens quanto em mulheres, devem servir como um alerta para procurar orientação médica.

Por que o cigarro é um grande causador de câncer do pulmão?

Porque a fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas diferentes e o alcatrão é um composto com mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas, formado a partir da combustão dos derivados do tabaco.

Parar de fumar diminui o índice de câncer pulmonar? Em quais casos?

Quando a pessoa deixa de ser fumante, a partir de cinco anos, ela diminui o risco de doenças cardiovasculares, infartos e derrames, já após dez anos sem fumar, o risco de câncer de pulmão cai para quase o mesmo de uma uma pessoa que nunca fumou.

Existe mais propensão desse tipo de câncer de acordo com o gênero?

O câncer de pulmão ainda acomete mais os homens. No entanto, houve um aumento do número de mulheres tabagistas nos últimos 20 anos, influenciadas pela mudança do contexto social da mulher (com sua inserção no mercado de trabalho), influências de propaganda no hábito tabágico (associando o cigarro com glamour e poder) e de grupos sociais. As mulheres começam a fumar por volta dos 16 anos. As garotas têm mais dificuldade de parar de fumar, apresentando maior dependência do cigarro e sofrendo emoções mais negativas durante as tentativas de abandonar o vício.

Existe alguma forma de prevenção desse tipo de câncer ?

A principal medida de prevenção para o câncer de pulmão é abandonar o tabagismo, pois ele é responsável pela imensa maioria da incidência da doença.  Também é recomendado evitar a exposição a agentes químicos, ou metais pesados, como asbesto, arsênico, entre outros fatores de risco para esta doença. Exames de imagem periódicos e radiografia simples do tórax também podem auxiliar a detecção da doença no momento em que ainda pode ser possível um tratamento com intenção curativa. Qualquer suspeita de anormalidade no exame de raios-X, levará à necessidade de se fazer uma tomografia computadorizada do tórax, exame de fácil acesso e que fornece informações muito detalhadas sobre os pulmões.

Com a confirmação de câncer de pulmão, qual o tratamento mais utilizado?

Caso exames evidenciem alterações suspeitas de câncer, após a realização de uma biópsia, que significa a retirada de um pequeno fragmento da área suspeita para a análise, para confirmar a presença de câncer do pulmão, os principais recursos empregados no tratamento são cirurgias, radioterapia e quimioterapia.

Qual índice de cura?

Se descoberto e tratado no período inicial existe possibilidade de cura, através de uma cirurgia, já na doença avançada, a probabilidade de sobrevivência em cinco anos, aqui no Brasil, varia entre 7% a 10%.

Formada em medicina pela Universidade Luterana do Brasil e com residência em Medicina Interna e Oncologia Clínica, a Dra. Junia possui vasta experiência na área de oncologia clínica e em pesquisa clínica, tendo realizado publicações a nível nacional e internacional. Participou ainda de congressos, com apresentações de trabalhos de destaque, como o “Câncer de pulmão na mulher: sinais, sintomas suspeitos e hábitos preventivos”, em 2011, durante a Semana de Combate ao Câncer do GHC – GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO/Porto Alegre/RS –  e mais outros sete trabalhos para edições do Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, entre outros eventos na área.

Fonte: Instituto de Câncer de Brasília

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