Quanto vale uma célula imortal?

FOTO VIDA IMORTAL

Rebbeca Skloot – dez anos pesquisando a verdade sobre Henrietta Lacks

Luiz de Souza, de Porto Alegre/RS – Talvez o Dr. Christoph Lengauer, VP & Global Head of Oncology, Discovery Research da Sanofi-Aventis, uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo, possa responder. Ele e dezenas de cientistas que com ele trabalham, usam as que talvez sejam as mais famosas e polêmicas células do mundo da ciência comercial: as células HeLa. Elas pertenceram a Henrietta Lacks mais conhecida pelos cientistas com HeLa, pobre descendente de escravos, agricultora de tabaco no Sul dos Estados Unidos que morreu tomada pelo câncer em 04 de outubro de 1951. A expressão “pertenceram” talvez nunca tenha sido tão verdadeira como neste caso. Até 05 de fevereiro de 1951 realmente as células cancerosas de Henrietta eram dela. Depois se tornaram propriedade do mundo da ciência comercial. Isto porque, no dia seguinte, aquela negra americana inculta e descriminada, assinou sem ler um formulariozinho que dizia: “Através desta, autorizo o pessoal do Hospital Johns Hopkins a realizar quaisquer procedimentos cirúrgicos sob qualquer anestesia, local ou geral, que possa considerar necessário ao cuidado cirúrgico e tratamento apropriado de Henrietta Lacks.”

Nos minutos que se seguiram, o Dr. Lawrence Wharton Jr., sentado entre suas pernas diante de uma mesa de exames ginecológicos, sem informá-la que estava coletando amostras e nem perguntar se ela queria ser uma doadora, passou o bisturi e removeu do colo do útero da paciente, uma porção de tecido tumoral do tamanho de uma moeda. Nos USA, lá em 1951, assim como hoje, não existe nenhuma lei que exija o consentimento informado no armazenamento de tecidos para fins de pesquisas, bem como não existe uma exigência para que médicos informem aos doadores a intenção de fazer dinheiro com seus tecidos. O motivo alegado pela comunidade científica para não apoiar uma lei a respeito é que os valores que resultariam da autorização de uso travariam o desenvolvimento da pesquisa. O fato científico relevante neste caso, é que as células HeLa continuaram se reproduzindo in vitro, venderam toneladas mundo a fora, renderam bilhões de dólares par as indústrias que as exploraram a partir de então e nem Henrietta nem seus descendentes ganharam nem um penny com o negócio.

O ocorrido com Henrietta Lacks é apenas um exemplo do submundo da ciência, fruto de 10 anos de pesquisa jornalística por Rebecca Skloot, autora do livro A VIDA IMORTAL DE HENRIETTA LACKS que acabei de ler. A autora também escreve para o The New York Times Magazine, Discover, Popular Science  e  The Best American Science Writing.

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