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Nasce o quarto macaquinho

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Adaptação ultra atual de Roberto Margosi – o quarto macaquinho não vê, não ouve e não fala nada…mesmo!

O Ilustrador italiano Roberto Margosi apresenta ao mundo o quarto macaquinho, uma adaptação ultra moderna de “Os 3 macacos sábios”, escultura japonesa do século XVII.

O significado original desta escultura (localizada em um templo na cidade de Nikkõ, Japão) remonta o folclore japonês: se as pessoas não olhassem, não ouvissem e não falassem mal ou do mal, teríamos um mundo de paz e harmonia (miru=olhar, kiku=ouvir, iu=falar e zaru=negar).

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Kikazaru (o que tapa os ouvidos), iwazaru (o que tapa a boca) e mizaru (o que cobre os olhos).

Adaptações ilustrativas desta escultura ficaram mundialmente famosas, principalmente no mundo ocidental, por um significado bem menos nobre: como alusão à pessoa que não se posiciona ou que, diante de atos ilícitos, faz vista grossa.

Dado o contexto atual, a representação de Margosi remete a uma “real evolução da espécie”.

fonte: wikipedia

 

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CLT ou PJ? impactos e diferenças para quem busca trabalho em um país em crise

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O Brasil é um país com cerca de 12 milhões de desempregados e cujas perspectivas profissionais historicamente acompanham ondas de crescimento e recessão. A previsão de crescimento do PIB para 2018 gira em torno de 1,5% e para 2019 até 2021, os economistas não acreditam em crescimento anual superior a 2,5%. Este cenário nos faz supor que, em relação ao emprego, não haja mar de rosas no horizonte brasileiro pelos próximos 3 a 5 anos.

Como esse cenário impacta o mercado de trabalho?

A alta carga tributária embutida na contratação de um profissional CLT tem sido um dos entraves para o aumento da oferta emprego num Brasil recessivo. A realidade é que contratar custa caro. E boa parte do que o empresário paga por um funcionário não vai para o bolso do funcionário, mas sim para o bolso do governo.

Uma alternativa para este dilema é a contratação de profissionais como Pessoa Jurídica (PJ). Porém existe o desconhecimento do próprio profissional sobre as vantagens e desvantagens deste modelo. Portanto este artigo tem como foco esclarecer de forma simplificada as diferenças entre os modelos PJ e CLT. Empregados e empregadores podem, desta forma, avaliar claramente o que pretendem acordar, de forma a atender interesses mútuos.

O Modelo CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)

O funcionário contratado pelo modelo CLT tem carteira assinada e, portanto, tem direito a férias remuneradas, vale transporte e alimentação, 13° salário, licença maternidade, INSS e recolhimento do FGTS.

Nesta modalidade, o salário registrado na carteira não é o dinheiro que vai para as mãos do funcionário – é um valor sempre menor. Isso porque o INSS, o Imposto de Renda e eventuais vales são descontados do valor que ele recebe. Esse valor é, em média, ¼ menor, ou seja, se o salário é 1000 reais, vai para a mão do funcionário 750 reais. Levando em conta o Imposto de Renda (IR), cujo teto pode ir de 7,5 a 27,5%, dependendo do valor do salário, os descontos podem representar até 40% do total. Além destes pontos observados, o funcionário “celetista” deve cumprir uma rotina fixa de trabalho.

No ambiente atual, onde a crise econômica, o empobrecimento da população e a instabilidade política fizeram diminuir a atividade industrial, o consumo e as vendas, a gestão por diminuição de custos tem sido o dia a dia das empresas.  Por essa razão, o peso dos custos com pessoal tem refreado a oferta de vagas,  estimulado constantes revisões de estrutura e consequente diminuição no efetivo de funcionários CLT.

O modelo Pessoa Jurídica (PJ)

O valor que o profissional recebe não tem desconto porque a Pessoa Jurídica é contratada para prestar serviços, sem vínculo empregatício com a empresa. E é por este motivo que a PJ também não tem os benefícios do CLT. Nesta modalidade, a relação formal se dá por assinatura de um Contrato de Prestação de Serviços e o principal compromisso é com metas e objetivos claros.

Se, por um lado, esse profissional não tem direito aos benefícios da CLT, por outro, não precisa cumprir jornada ou receber ordens de superiores – normalmente sua atividade é auto-gerenciável. Ele deve apenas cumprir o que foi estabelecido em contrato, o que lhe permite mais liberdade no trabalho. O profissional PJ é, por assim dizer, dono de sua própria agenda e mobilidade funcional.

No caso de um Representante Comercial, por exemplo, como a forma de remuneração é por comissionamento, o aumento do ganho é diretamente proporcional ao aumento de vendas e da produtividade. Isso permite que a própria pessoa construa seu ganho, podendo esta remuneração ser muito mais elevada do que no modelo CLT (a remuneração celetista é autolimitada pelo salário-teto da função).

O modelo PJ é um modelo onde a disciplina e o controle de gestão dos gastos pessoais e dos investimentos são fundamentais para que a pessoa possa ter alguma reserva financeira e uma vida confortável. Ponto de atenção: o PJ tem que abrir uma empresa, pagar impostos e INSS, além de contabilizar e controlar demais despesas, como gasolina, pedágio, alimentação, e plano de saúde. Por isso, é fundamental contar com o auxílio de um bom contador.

Mudanças recentemente ocorridas na legislação trabalhista

A nova lei trabalhista entrou em vigor no dia 11 de novembro de 2017. Esta nova legislação mudou a relação entre empregadores e empregados, onde o maior impacto foi a ampla flexibilização por norma coletiva e a terceirização. No novo cenário, acordos entre empregador e empregado tem força soberana sobre a legislação. Por esse motivo, os contratos devem ser bem redigidos e firmados, de forma a que tudo fique devidamente claro entre as partes. Esta mudança favorece ainda mais o ambiente para que o modelo profissional PJ seja uma tendência ainda maior, estimulando o aumento da oferta de trabalho em nosso país.

fonte: pesquisa Valor Econômico, Consolidação das Leis Trabalhistas, Portal G1. 

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Costa Oeste de Sonoma – Região vinícola no extremo oeste da Califórnia quer mudar de nome

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Uma estreita faixa de terra de 82 km margeando o oceano, é conhecida como Costa Oeste de Sonoma. Nesta área, onde movimentos tectônicos agitam a região há milhões de anos, está uma das melhores áreas de produção de pinot noir, chardonnay e syrah do mundo. Por essa razão, os produtores locais lutam por oficializar a região como produtora independente ou “AVA” (área vitícola americana). Hoje, a região está classificada mais ampla e simplesmente como “Costa de Sonoma”.

Os produtores da região têm, há anos, tido sérios problemas de identidade com a atual denominação, aprovada em 1987 pelo Departamento de Comércio e Imposto sobre Tabaco e Álcool (TTB). Por ser abrangente demais, não distingue bem as diferentes qualidades e peculiaridades de cada vinícola. Por essa razão, o título “Costa de Sonoma” não é exatamente um atestado de confiança e sabor de determinado vinho. Só a distância de mais de 50km do litoral, faz com que algumas vinícolas sofram menos a influência do oceano pacífico, com temperaturas mais quentes. Isso faz com que pinot maduros e chardonnays mais terrosos fiquem na mesma categoria.

Para a mudança de nome da região, há ainda um caminho a percorrer. Após recomendação do TTB, o Departamento do Tesouro Americano fará uma avaliação do impacto econômico desta mudança na região e após, o pleito será submetido à audiência pública por 60 dias.

fonte: adaptação, matéria do Valor Econômico, 03/09/2018

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Câncer do Intestino – Estudos apontam menor necessidade de uso da bolsa de colostomia

(Traduzido e adaptado do artigo do jornalista James Gallagher, editor de Saúde da BBC website, Chicago/IL)

Um estudo apresentado no ASCO (Congresso da Amercian Society of Clinical Oncology), maior congresso sobre câncer no mundo, mostra que o uso de stents antes da cirurgia diminui o risco cirúrgico e, consequentemente, a necessidade de uso de bolsa de colostomia. Por ser um dispositivo de coleta de fezes, a simples possibilidade de uso da bolsa, assusta os pacientes, encontrando enorme resistência.

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São diagnosticados anualmente cerca de 1,4 milhões de casos de câncer de intestino no mundo. Na Inglaterra, a grande maioria dos cânceres de intestino passam despercebidos, até que se tornem casos de emergência cirúrgica. O risco destas cirurgias não planejadas é muito maior do que uma cirurgia de rotina, pois a saúde geral do paciente está pior e o inchaço provocado pelo bloqueio inviabiliza a cirurgia laparoscópica.  E nem sempre um especialista está presente para uma intervenção mais invasiva. Nesses casos, a taxa de mortalidade sobre de 2% para 12%.

Intestino Distendido

Feita a remoção do tumor, os cirurgiões são menos propensos a dilatar novamente o intestino. Uma parte do cólon se encontra bastante distendida, enquanto outra completamente prejudicada pelo tumor. Caso não seja possível reverter seu funcionamento, a necessidade de uso de bolsa de colostomia é enorme. Um estudo com 250 pacientes realizado pelo Cancer Research UK tratou a metade do grupo com cirurgia convencional e a outra metade por meio de uma nova abordagem de desobstrução do intestino: o cirurgião, com a ajuda do endoscópio, localiza a obstrução, onde é imediatamente colocado um stent. Na colocação, o stent tem apenas 3mm de diâmetro, porém em 48 horas, o dispositivo se expande até atingir 2,5cm de diâmetro, abrindo a passagem do cólon. Só então o tumor é removido, uma vez que o paciente está livre da obstrução.

Entre os dois tipos de procedimento, não foram observadas diferenças na taxa de sobrevivência. Porém foram gritantes as diferenças entre a decisão pelo uso da bolsa de colostomia e pelo não uso, foi gritante. Dos pacientes onde a abordagem foi a cirurgia de emergência, 69% precisaram da adoção de bolsa de colostomia, enquanto que os pacientes onde foi adotado o procedimento com stent, o uso da bolsa caiu para 45% dos casos.

“Enorme melhoria”

O Professor James Hill conduziu o estudo em Hospitais da Universidade de Manchester e diz: “Culturalmente os médicos temem que o bloqueio do intestino possa aumentar a chance do câncer se espalhar, porém nossos resultados iniciais não apontam pra isso. Também estamos satisfeitos por vermos que esta pode ser uma forma de reduzirmos o risco daqueles pacientes que precisam de bolsa de colostomia após a cirurgia. Estamos falando de mais qualidade de vida no dia a dia dos pacientes. Estes foram apenas os primeiros resultados, mas o trabalho se se prolongará pelos próximos 3 anos para saber se a abordagem afeta a sobrevivência e os cuidados necessários para paciente terminais.”

Debora Alsina, Diretora Executiva do Bowel Cancer UK, considera os resultados são promissores. “É especialmente reconfortante observar que o uso de um stent não aumenta as chances de que o câncer se espalhe.”, diz ela. “No caso dos pacientes que precisam de uma bolsa, é possível viver bem com uma. Mas aqui temos uma maioria de pacientes que passam a viver sem a necessidade de um estoma permanente. A bolsa de colostomia é, na maioria das vezes, um dispositivo que assusta as pessoas. Assim, da mesma forma como festejamos os resultados do estudo, no longo prazo, vamos precisar pesquisar muito mais.”

Martin Ledwick, do Cancer Research UK, declara: “Este tratamento não serve para todos e sim para aqueles cujo impacto poderá ser muito maior em suas vidas pós-cirurgia. A não necessidade de uma bolsa de colostomia tem um impacto significativo na qualidade de vida desses pacientes.”

Ponto de Vista

Por Doutor Anderson Freitas da Silva, Médico, Endoscopista e Diretor Clínico do Hospital VivalleAnderson Rede D’or (São José dos Campos/SP). 

“A importância desse estudo está no papel de ponte exercido pelo stent em um caso onde o paciente obstruído e com um tumor entra no pronto socorro para atendimento de urgência. Normalmente, um paciente nessa situação entra e é imediatamente encaminhado à cirurgia. O Cirurgião opera e instala a bolsa de colostomia, para dali algumas semanas, reoperar o paciente, tirar a bolsa e religar o intestino. O estudo mostra aponta para a possibilidade de, numa primeira abordagem, ao invés de operar o paciente, colocar um stent, eliminando a obstrução. Depois de algumas semanas, o cirurgião opera o paciente, retira o tumor e reconstitui o trânsito intestinal, diminuindo assim a necessidade de uma colostomia. Ainda que, conforme o artigo,  as pesquisas devam continuar, sem dúvida a técnica permite um ganho enorme em termos de risco e qualidade de vida, na abordagem desse tipo de paciente.”

 

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As 7 doenças que estão matando nossa humanidade

por Victor Lisboa – blog Tempo de Consciência (Ano Zero) – matéria na Íntegra

Nem toda superstição é religiosa, e uma das superstições mais perigosas de nosso tempo nada tem de mística. Ela consiste na crença de que o desenvolvimento da sociedade sempre é algo positivo, e que na busca pelo progresso deixamos para trás apenas o que é obsoleto.

Sete das mentes mais criativas dos últimos tempos atacaram essa superstição. É verdade, a tecnologia e a evolução dos costumes podem transformar nossas vidas aqui na Terra em um paraíso. Mas é possível que nesse processo deixemos para trás algumas das condições necessárias para uma vida plena, feliz e amorosa – uma vida com sabedoria, em outras palavras. Se desejamos rumar até o paraíso, precisamos saber distingui-lo do inferno.

Para sete pensadores, nossa sociedade está na enferma, e eles diagnosticaram as sete doenças que a acometem.

A ESPETACULARIZAÇÃO DE NOSSAS VIDAS

Em 1967, o filósofo francês Guy Debord escreveu A Sociedade do Espetáculo, em que propõe que no mundo moderno somos induzidos a preferir a imagem e a representação da realidade à própria realidade concreta.

Para Debord, as imagens, apenas sombras do que existe, contaminaram nossa experiência cotidiana, levando-nos a renunciar à vivência da realidade tal como ela é. Toda a vida em sociedade virou um acúmulo de espetáculos individuais e coletivos, tudo é vivido apenas enquanto representação perante os outros.

Guy Debord

A MENTIRA ENQUANTO NARRATIVA

O filósofo e neurocientista norte-americano Sam Harris escreveu em 2013 o livro Lying (Mentindo), na verdade um ensaio em que ele demonstra que a mentira é o pecado que pavimenta todos os demais pecados da modernidade.

Estimular socialmente a necessidade da mentira é uma decorrência lógica de uma sociedade do espetáculo, em que mentir é muito mais do que ocultar a verdade. A mentira chega ao ponto de desconstruir a verdade ao confundi-la com uma narrativa – algo que serve, portanto, ao próprio espetáculo.

Dizer tudo é relativo é um slogan ultrapassado. Agora, tudo é narrativa. E passamos a acreditar que não há nenhum fato que não possa ser redefinido como uma forma de narrativa do protagonista.

Após séculos identificando Deus como A Verdade e o diabo como O Pai da Mentira, a sociedade atual encara o conceito de “verdade” com ironia e ceticismo. Uma das características de nosso tempo é a ideia de que a verdade é relativa, e de que tudo depende do ponto de vista do sujeito. O relativismo moral é uma mentira cuidadosamente elaborada para que ela própria pareça uma verdade.

O problema é que a linha moral entre verdade e mentira é a única que separa nossa caminhada coletiva do rio negro da barbárie e da superstição. E nem precisamos apelar para as virtudes morais do leitor: já está provado que a melhor solução de qualquer conflito humano é a colaboração e a confiança mútua. Assim, a posição de vantagem perceptível a curto prazo torna-se uma enorme derrota logo adiante.

Sam Harris

O PROTAGONISMO

O produtor britânico Adam Curtis idealizou o documentário The Century of the Self (O Século do Eu). Nessa obra imperdível (disponível aquilegendado), ele demonstra como a publicidade utilizou as teorias psicológicas sobre o funcionamento da mente humana para tentar manipular o desejo do público e induzir todos ao consumo.

Não havia lugar para sutilezas. Um pouco comicamente, algo banal como vender carro na TV utilizava estratagemas que tentavam invocar alguns dos desejos sexuais mais primitivos do espectador. Era cômico, mas eficiente: a venda de carros aumentava. A realidade humana é que talvez seja meio engraçada. Podia-se, portanto, dar um passo além.

Assim, a seguir houve uma evolução menos ingênua e grosseira dessa publicidade, uma forma de explorar os medos e anseios do público para além do comercial de automóveis fálicos. Afinal, porque tentar associar o produto com os desejos íntimos do consumidor se era possível, pela indústria de entretenimento, influenciar e talvez até determinar esses desejos íntimos?

A partir de 1960, o movimento da contracultura ensinou às grandes multinacionais e agências de publicidade que dava lucro desenvolver e disseminar entre a pessoas a noção de individualismo como um estilo de vida.

Daquele momento em diante, os meios de comunicação de massa (cinema, televisão, música popular) passaram a vender a seguinte ideia: somos todos nós indivíduos únicos, especiais, e temos todos o direito de explorar a riqueza luminosa de nossa individualidade.

Disso surgiu o protagonismo. Afinal, numa sociedade em que tudo é espetáculo, a decorrência lógica é que todos, estimulados em seu individualismo, considerem-se protagonistas.

As redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e Tumblr só querem uma única coisa de nós: que as utilizemos cada vez mais, que as tornemos uma parte indispensável de nossa vida. E o que fazem para isso é criar espaços em que podemos construir nossa imagem pessoal perante os outros de forma que pareçamos protagonistas de uma narrativa interessante.

O protagonismo estimulado pela nossa sociedade torna, subjetivamente, todas as outras pessoas meros coadjuvantes de nossa história pessoal. Todos os outros seres humanos ao nosso redor são considerados apenas na exata medida em que colaboram ou não com o desenvolvimento dessa pequena novela que repetimos a nós mesmos em nossa cabeça.

E um dos aspectos mais nocivos disso é a ideia de protagonismo social, muito difundida no ativismo das redes sociais. Segundo essa proposta, apenas aqueles que se enquadram em determinada categoria minoritária ou oprimida poderiam lutar ativamente contra as condições de opressão. Todos os demais indivíduos deveriam, portanto, permanecer passivos diante da luta, em estado de aprovação bovina. Assim, somente mulheres poderiam protagonizar o combate ao machismo, somente afrodescendentes poderiam protagonizar o combate ao racismo. Segmentando ainda mais a sociedade, essa proposta impede que todos os seres humanos, unidos, lutem contra tudo aquilo que for um problema fundamentalmente humano – como o são os preconceitos.

Adam Curtis

AS RELAÇÕES LÍQUIDAS

Muito já se falou da teoria do sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre a sociedade líquida. Por “líquida” entende-se uma sociedade em que não há papeis sociais rígidos nem certezas sólidas. Tudo, portanto, é fluído e não somos obrigados a assumir um compromisso duradouro com qualquer papel social ou pessoa.

Que emprego escolher, com quem nos casar, que estilo de vida adotar: não há qualquer orientação sobre o que é certo e errado diante de duas escolhas, e tudo o que nos é dito é que temos total liberdade para decidir. O problema é que cada escolha por um caminho implica na renúncia de outro, e disso irremediavelmente surgem dúvidas e a sombra do arrependimento.

Essa liberdade, inserida no contexto da sociedade que impõe ao indivíduo a obrigação de espetacularizar sua vida e expressar uma suposta individualidade de protagonista bem sucedido, é sentida como um fardo. O resultado são indivíduos acometidos de ansiedade constante, inseguros, fragilizados. E pessoas fragilizadas são mais facilmente influenciáveis.

Transportando isso para os relacionamentos, Bauman salienta que a facilidade com que hoje podemos abandonar uma relação, transitando de um envolvimento afetivo para o outro, sempre na busca de uma idealização inalcançável do sujeito amado e do próprio amor, traz também ansiedade e acarreta o empobrecimento das relações humanas.

Como Bauman expõe no vídeo acima, atualmente nós desfazemos nossos elos com os outros com a facilidade de quem desfaz uma amizade no Facebook: basta um clique. Em um planeta superpovoado, parece que sempre há a nossa disposição outras tantas pessoas com as quais estabelecer conexão – o problema é que no final nunca estabelecemos conexões verdadeiras com ninguém.

Zig Bauman

A FALTA DE TEMPO

Em Mal-estar na Atualidade, o psicanalista brasileiro Joel Birman alerta que a racionalização das práticas sociais usurpou dos indivíduos o controle do seu tempo. A forma como utilizamos nosso tempo pessoal está cada vez mais sendo pré-determinada pelas demandas sociais, impondo que vivamos em um frenesi initerrupto.

Hoje em dia, estamos sempre super atarefados. A sociedade nos seduz com o sonho de sermos protagonistas de nosso espetáculo privado, mas o caminho para esse sonho está ladrilhado com tarefas, microtarefas e toda espécie de atividade que exige nossa constante atenção. Isso consome praticamente todo o nosso tempo desperto.

Como resultado, embora estejamos hoje em dia sempre atarefados, parece que jamais fazemos o suficiente. Disso vem a sensação estranha de que estamos vitimizados pela procrastinação: nunca temos tempo de fazer tudo o que precisamos para cumprir com a promessa de que seremos protagonistas excepcionais.

O problema é que um ponto central de qualquer projeto de vida é a possibilidade de revisarmos nossas decisões e estratégias com atenção e tranquilidade, refletindo detidamente sobre aquilo que estamos fazendo. A pressa nos impede de analisar quais coisas são realmente importantes para nós e quais são as nossas prioridades.

Sem tempo o suficiente para investigar a motivação por trás de cada tarefa cotidiana, desperdiçamos muito de nosso tempo em atividades que podem ser valorizadas socialmente, mas que intimamente significam muito pouco para nós. Mais que isso, sem podemos nos dar ao luxo de perder tempo, deixamos de ter direito ao ócio necessário à criatividade e à fruição dos prazeres.

Joel Birman

O HIPERCONSUMISMO

O filósofo francês Gilles Lipovetsky cunhou o termo hiperconsumo. Seríamos, neste momento da história, não meros consumidores, mas hiperconsumidores. Em uma estrutura na qual o crescimento econômico depende do consumo crescente da população, estamos todos inseridos numa dinâmica social baseada na compra contínua. Se pararmos de consumir febrilmente, há um colapso da economia.

Não há nada de essencialmente errado com o consumo. O mercado de consumo tem sim seus espaços legítimos de atuação. Porém, a partir de 1970, segundo Lipovestky, ingressamos na fase do hiperconsumo. Trata-se de uma fase essencialmente subjetiva, pois os indivíduos desejam adquirir objetos não pela sua utilidade ou necessidade, mas para aliviarem sua ansiedade de aceitação e integração na coletividade.

Os produtos são consumidos enquanto ato de expressão da individualidade e do estilo de vida do hiperconsumidor. Compramos produtos, mas estamos em busca de sensações, vivências e a construção de uma imagem social que nos traga prestígio.

Gastamos pequenas fortunas em smartphones para não utilizarmos sequer 20% de sua capacidade computacional. Olhamos para as avenidas engarrafadas de nossas cidades e vemos potentes utilitários transportando apenas uma pessoa, o motorista. A construção social da moda e da tendência garante que roupas ainda em perfeito estado sejam enfiadas no fundo do guarda roupa, obrigando-nos a comprar novas roupas que nos protejam da ridicularização social.

O conceito de obsolescência programada, a noção de desvalorização dos bens de consumo adquiridos e o status social associado a novas versões dos mesmos produtos assegura que tenhamos que trocar de carro, smartphone, televisão e computador com uma frequência que é conveniente ao sistema de produção atual, mas irracional do ponto de vista do consumidor e da capacidade de exploração do meio ambiente.

Gilles Lipovetzky

A IRONIA

“Não se engane, a ironia nos tiraniza”, vaticinou o escritor americano David Foster-Wallace em seu ensaio E Unibus Pluram. E seu alerta precisa ser levado a sério.

Ironia consiste essencialmente em querer dizer coisa distinta daquela que está sendo expressamente dita, causando o efeito de humor. Portanto, a ironia flerta com a mentira e, ao lado do conceito de narrativa, é outra forma eficaz de deteriorar socialmente o valor da verdade em nossa sociedade. Mas a ironia é ainda mais nociva, pois não para seu trabalho corrosivo por aí – a ironia mina a própria capacidade do indivíduo vivenciar e expressar socialmente sentimentos verdadeiros e significativos.

Não apenas a sinceridade e a paixão estão hoje fora de moda, alerta Foster-Wallace, mas atualmente é sinal de distinção social e de inteligência estar levemente entediado e ostentar uma leve, cínica, desconfiança sobre todas as coisas: expressões faciais, gestos e comentários que informam, com ar de superioridade, que “já vi de tudo nesse mundo”, que “sei que nada é o que parece ser” e que “acho tudo isso que você leva tão a sério muito engraçado”.

A ironia que começou como um espírito de vanguarda no passado, do qual dotadas as pessoas mais inteligentes e sagazes, tornou-se agora uma cultura de massa. Os meios de comunicação, segundo Foster-Wallace, utilizam elementos do pós moderno como a metalinguagem, o absurdo, o sarcasmo, a iconoclastia e a rebelião e os modela para fins de consumo.

A partir de então, a ironia, que antes era um instrumento fortalecedor do espírito contra os dogmas e as crenças sacralizadas mas opressoras, tornou-se uma força debilitante do próprio espírito humano. Pois a ironia é a forma irreverente de o desprezo anunciar que está chegando.

Citando o poeta americano Lewis Hyde, Foster-Wallace expõe que “a ironia tem uma utilidade apenas emergencial, e estendida no tempo, torna-se a voz do prisioneiro que passou a gostar de sua cela”. Ela perde seu potencial contestador e torna-se uma forma sarcástica de conformar-se e adaptar-se a tudo aquilo que nos limita. Pois a ironia também atinge as aspirações a gestos heróicos e elevados sentimentos.

A ironia, embora realmente prazerosa, tem uma função essencialmente negativa, pois é crítica e desconstrutiva, “boa para limpar o terreno”. Porém, a ironia, após seu trabalho de destruição e depuração, é incapaz de construir algo verdadeiro, é inábil em propor a criação de algo que substitua, e para melhor, aquilo que ajudou a destruir.

David Foster

para saber mais sobre Victor Lisboa: http://www.minhadistopia.com/

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O paradigma do lucro na Medicina

por Daniel Souza

Hoje é Dia do Médico. Pensando nisso, me vi refletindo sobre quantas vezes, ao longo da minha trajetória profissional, me deparei com excelentes profissionais médicos preocupados com a imagem social que passariam a seus clientes pelo fato de obterem bons lucros provenientes do seu trabalho. E minha reflexão diz respeito, claro, aos profissionais sérios e bem sucedidos em função disso. Sabemos que profissionais mal formados e nem tão sérios existem em todo o tipo de segmento.

Minha formação é comunicação social. Sempre curioso e metido em tudo o que tenha a ver com a relação saudável entre pessoas, me tornei um profissional de vendas, com forte pegada na formação de outros profissionais. Talvez por uma intuitiva afinidade com o bem estar e pela pesquisa capaz de ampliar os horizontes do ser humano, caí na área da Saúde, onde me encontro até hoje. Apesar de não ter uma formação em Administração, sempre admirei essa área, a mola mestra da nossa sobrevivência. Administrar bem os recursos serve pra tudo – em casa, no trabalho, na escola, na religião (para os que a cultivam, claro) e até num período de férias. Não existe na natureza um só ser que respire que não precise de uma boa administração para sobreviver. Modelos de negócio então, não conheci nenhum que possa viver sem uma boa administração.

Dia do médico

E a fórmula que os gurus em administração nos passaram ao longo de tantos anos também não mudou muito – gere receita, modere os gastos e seu negócio terá lucro. É e sempre foi assim. Mas as crises nos ensinaram a lidar com uma postura adicional – não basta moderar o gasto, mas tem que investir em obter mais receitas, para que um negócio seja bem sucedido.

Se esse racional é socialmente aceito para todos os tipos de negócio, com a medicina, não poderia ser diferente. O médico que tem uma clínica ou um consultório, seja ele grande ou pequeno, precisa ver-se como um empresário e que necessita de uma boa visão do seu negócio para, mais do que sobreviver, ver seu legado se tornar perene. Indo por esse caminho, me agrada a visão do Dentista Roberto Caproni: “Quando o seu consultório ou a sua clínica presta um serviço de valor para a sociedade, ele é remunerado com o Lucro Admirável Merecido, na forma de dinheiro. Esse é o prêmio que a sociedade concede para que você continue atuando em sua atividade profissional, gerando benefícios para ela. O lucro admirável merecido funciona como um termômetro da sua importância para a sociedade”.

Caproni ainda adverte que cortar gastos é como puxar o freio de mão de um carro em movimento. Ele diminui a marcha até parar por completo. Então não pode este ser o recurso único para se fazer uma boa administração. Parece algo simples, mas ainda assim muitas clínicas tropeçam nesses princípios.

O movimento de um negócio é mais importante, mesmo com alguma despesa extra. O imobilismo em tempos de crise é o pior veneno. E como fazer para aumentar receitas? É necessário buscar uma forma de aumentar seu espectro de clientes. Isso tem um custo, óbvio. Ainda que a necessidade de ter um plano de comunicação e marketing não seja algo tão corriqueiro, por ser muitas vezes visto como “algo que um médico não deve fazer, para não parecer demasiado mercantilista” – me poupe… Por isso se diz, de praxe, que em tempos de crise, o empresário deve pisar no acelerador para ser mais visível e desejado pelos clientes do que a média dos seus concorrentes. A área da Saúde (e a medicina, repito, não é diferente) é um mercado e, quer saibamos aceitar essa realidade ou não, onde profissionais de saúde precisam se preparar cada vez mais, como parte desse processo econômico, se desejam sobreviver e prosperar.

O médico é hoje um profissional que, além de ser muito bom na sua área de especialidade, tem que ser bom em gestão e visão do negócio. Dependendo do tamanho do seu modelo de negócio, diversas famílias dependem do seu sucesso e a sociedade precisa que aquela clínica continue prosperando. Afinal, o lucro e a fartura são as formas de como a sociedade agradece a um serviço bem feito. Porque não?

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Estudos mostram – ficção é bom pra você

Estimular ou não as crianças a irem fundo no mundo dos livros e filmes de ficção? Assistir a um filme que estimule a fantasia faz mais bem do que mal? E quanto a nós, adultos? Se for benéfico, em que circunstâncias?

loboPerguntas como estas sempre surgem e os pesquisadores da Universidade de Toronto, Keith Oatley, Maja Djikic e Raymond Mar estudaram, em busca de respostas a estas perguntas. Conduziram um estudo que mostra que a ficção é sim um benefício para todos nós. Mas de que forma?

A ficção estimula áreas do nosso cérebro responsáveis pela compreensão da humanidade e suas diferenças. Com o acesso à livros e filmes de ficção, podemos melhorar aspectos como empatia e entendimento da realidade alheia sobre diversas perspectivas.  Em 2013, foram realizados exames de ressonância magnética em 252 participantes do estudo. Oatley observou-os lendo um romance e identificou a ativação do córtex pré-frontal, sempre que o personagem do romance estava para tomar uma decisão importante. A área ativada é justamente a responsável pela tomada de decisões. Segundo Oatley, para o cérebro a ficção não deixa de ser uma simulação da realidade (ou sonho), ideia defendida e trabalhada por Shakespeare em seu remoto tempo.

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Keith Oatley, responsável pelo estudo

Mais do que mera distração, o Dr. Oatley afirma que a ficção pode sim ajudar executivos a tomarem decisões melhores, sendo assim mais eficientes em suas atividades mais complexas.

fonte:

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Pesquisador desenvolve protetor solar para beber

INFOMONEY – Por Júlia Miozzo

Segundo a empresa, beber 30ml da bebida bloqueia os danos do sol, como queimação e foto envelhecimento por três a cinco horas, dependendo da tonalidade da pele.

SÃO PAULO – Pode ser que os tempos de cremes e loções de proteção solar tenham chegado ao fim: uma empresa norte-americana criou a UVO, uma bebida que promete proteger e a pele do sol. Segundo a empresa, beber 30 mL da bebida bloqueia os danos do sol, como queimação e foto envelhecimento por três a cinco horas, dependendo da tonalidade da pele.19402_2_L-644x336De acordo com o Entrepreneur, quem criou a bebida foi o Dr. Bobby Awadalla, um dermatologista e cirurgião de câncer da pele que pratica exercícios no sol e, quando viu um homem em roupas de ginástica bebendo um energético em uma cafeteria, teve a ideia de criar o “protetor solar tomável”.

“Se podemos fazer dos cuidados da pele algo tão bom quanto beber um Red Bull, eu pensei, as pessoas usariam mais”, ele disse. “As pessoas resistem em passar o creme em sua pele porque não gostam da textura grudenta e do cheiro”.

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Deusmar e sua Pague Menos – um exemplo a ser seguido

size_810_16_9_consegui-nordesteFrancisco Deusmar Queirós, 67 anos, cearense de Fortaleza. Sua vida é uma das várias histórias de mega empresários que começaram do nada e se tornaram referência nacional. O Brasil, terra de muitos empreendedores, é pródigo dessas histórias. Deusmar construiu, em trinta anos, uma das maiores redes de farmácias desse país, a rede Pague Menos, com sede em Fortaleza. Quase 1000 lojas e um faturamento de mais de 1,5 bilhão de reais por ano. É gostoso ver o Deusmar falar. Sua motivação é contagiante e uma lição pra quem empreende nesse país. Veja abaixo como é a visão desse mega empresário.

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Saúde financeira: ao persistirem os sintomas, consulte o “médico”

Que crises, sejam políticas ou financeiras, fazem parte da cultura de amadurecimento de nosso país não é novidade pra ninguém. E normalmente são as empresas de pequeno e médio porte, pouco importando o setor a que pertençam, as que mais sentem seus efeitos. Nessas horas, o empresário precisa agir com frieza e encontrar meios de fortalecer-se para cruzar a instabilidade e desenhar novas perspectivas, pois é certo que em algum momento o ambiente de instabilidade vai passar. E esse caminho não precisa necessariamente ser percorrido sozinho. Entra em jogo o papel do Consultor Financeiro. Porque não?

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Cássio Bossi, Consultor Financeiro – “É muito difícil enxergar a existência de uma empresa sem Organização, Planejamento e Controle.”

Com expertise de quase 30 anos, vivenciada em diversas empresas nacionais e multinacionais como Gerente Administrativo Financeiro, Cássio Roberto Bossi, paulista de Jundiaí, acabou trazendo dessas experiências o seu propósito como Consultor Financeiro – levar o empresário que o contrata a pensar o seu negócio como um organismo vivo onde, se por um lado, a parte que impulsiona “o corpo” pra frente parece bem, a parte metabólica e de reservas de energia para enfrentar possíveis agressores e suas doenças, nem tanto.

O principal foco de Cássio é construir junto com o empresário que o procura uma “radiografia” e um diagnóstico pontual da saúde financeira da empresa. Cumprida essa etapa, passa a dar suporte interativo para a recuperação, manutenção, equilíbrio e crescimento do empreendimento do cliente. Segundo Cássio, seja o empresário um advogado, médico ou chef de cozinha, a gestão financeira do seu próprio negócio costuma ser o ponto frágil.

“Por mais habilidoso que um empreendedor seja, em sua área de expertise, salvo por iniciativas paralelas do próprio empresário ou se ele for formado em finanças, gestão financeira não costuma fazer parte da formação básica de um profissional. Existe um ponto de inflexão no negócio onde a tradicional Conta de Padeiro não ajuda a explicar o dia a dia. Então, mesmo sendo muito bem sucedido na área a qual abraçou, comumente esse empresário se vê às voltas com dificuldades para administrar seus recebimentos, suas despesas, bem como planejar o crescimento e a saúde do negócio.”

Para Bossi, organização, planejamento e controle são pilares cruciais em qualquer processo de gestão, não importando o tamanho da empresa. E o exemplo que costuma usar é o da ida a um médico.

“Quando vamos ao médico, sabemos dizer a ele onde dói. O mesmo se dá em uma empresa, onde o dono também tem que saber dizer (ou mostrar) suas dificuldades para que possa “tomar o remédio” indicado pelo consultor, isso é organização e controle. E se o médico receitar um exame caro demais, quando vou poder fazê-lo? Isso é o planejamento.”

Ainda segundo Cássio, somos um povo empreendedor, gostamos de nos arriscar. Mas educação financeira não é um traço cultural do brasileiro, o que acaba sendo um tiro no pé no momento em que o empresário põe em prática seus talentos empreendedores.

“O comportamento mais comum de um negócio bem sucedido é seu crescimento rápido e desordenado, fruto do tino de seu proprietário. Esse é um ralo de recursos e que precisa ser contido. Na mesma velocidade com que o empresário vê seu dinheiro entrando, vê sair, mas não sabe bem com agir sobre isso, pois não foi treinado pra isso. Sempre surgem perguntas do tipo para qual rumo a minha empresa está indo? Ou por que é que faturo tanto e não consigo pagar as minhas contas em dia? Por que o meu concorrente consegue ter margem e eu não? E muitos outros questionamentos que ao longo da existência de uma empresa vão surgir. Não raro, no primeiro contato com o cliente, pergunto se ele já teve a oportunidade de analisar o Balanço Financeiro da empresa. Invariavelmente, a maioria das respostas é não.”

Um dos pontos frágeis de uma gestão e sob a qual Cássio dedica cuidadosa atenção é na relação entre o cliente e seu escritório de contabilidade. Na maioria das vezes, por ter o escritório uma carteira com muitos clientes (um bom escritório tem normalmente mais de 500 clientes em atendimento simultâneo), não é possível o contador ir muito além do cumprimento das obrigações contábeis básicas para com seu cliente. Cassio afirma que, por mais confiável que seja essa relação, ela deve ser questionada sempre.

“Não digo que precise haver um clima de desconfiança contínua na relação com o contador, longe disso. Mas cabe sim lembrar que a legislação tributária brasileira é densa, confusa e cheia de pequenas sutilezas. Nesse particular podemos ter diversos pequenos ralos financeiros e que, dado o volume de trabalho de um escritório de contabilidade, não podem ser particularizados nem vistos com o devido detalhe.”

Quando questionado por seus clientes sobre a crise econômica atual, Cássio é firme na visão de que temos que ter cuidado e não deixar que a emoção e enxurrada de más notícias tire o empresário do seu foco.

“A Economia é fascinante, mas também perniciosa. Quando a economia vai bem, tudo parece fluir e as receitas da empresa também são generosas. Isso cria uma ilusão de óptica para gestões menos controladas e organizadas, onde pequenas e médias empresas que faturam muito não sabem o quanto ganham ou qual a saúde desse ganho. Na falta de oxigênio tendem a encolher ou mesmo fechar portas. Mas também existem aquelas que, com gordura acumulada, passam pela crise e criam oportunidades. Esse é o reflexo do Planejamento Financeiro. Um piloto bem treinado sabe conduzir o avião na turbulência, bem como quanto combustível tem nas asas para superá-la e chegar no céu azul.”

Formado em Economia e pós-graduado em Administração Financeira, Cassio acredita que é possível combinar ousadia empresarial e olho clínico para os gargalos financeiros do negócio.

“Tudo bem que para o empreendedor visionário, a cultura de finanças não seja a parte mais sedutora do negócio, mas ela existe e, se não for cuidada com carinho e visão de futuro, pode pôr em risco muitos sonhos e planos de um negócio bem sucedido. É o momento de rever como as coisas são feitas e, repito, não importas se o seu negócio é uma clínica médica, um pequeno supermercado ou um escritório de arquitetura. Precisa de um bom plano de negócios, focado em projetar recursos e resultados. Se isso soa estranho ao empreendedor, então é o momento de buscar ajuda. É pra isso que existimos”, acrescenta.

Perguntado sobre quais são os empresários e perfis de sucesso que o inspiram, Cássio tem especial apreço pelos brasileiros: “Gosto do Jorge Paulo Lemann, mas admiro ainda mais Silvio Santos, pois criou do nada diversas empresas e modelos de negócio inovadores sem comprar empresas falidas e deficitárias ou absorver marcas mundialmente conhecidas.”

para endereçar perguntas ou saber mais sobre Cássio Roberto Bossi, anote: bossi.roberto@terra.com.br

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