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Legalização da Cannabis Medicinal pode movimentar US$ 1,4 bilhão no Brasil

(Exame.com – 30 de novembro de 2017)

A New Frontier Data, autoridade global da indústria de cannabis em relatórios de inteligência de negócios e análise de dados, em parceria com The Green Hub, uma das primeiras plataformas de pesquisa e informação de cannabis medicinal no Brasil, acaba de publicar sua primeira análise aprofundada do mercado brasileiro – Cannabis Medicinal no Brasil: 2018 Visão Geral, com detalhamento do potencial impacto da legalização da cannabis medicinal no Brasil.

Segundo o estudo, a legalização da cannabis medicinal pelo governo brasileiro para diversos tratamentos, como ansiedade, câncer, autismo, Alzheimer e outros, o número de pacientes nos primeiros 36 meses de vendas legais de cannabis poderia chegar a 959 mil. Ao incluir o seu uso também no tratamento de dor crônica, o número alcançaria aproximadamente 3,4 milhões de pacientes ao ano, movimentando o equivalente a US$ 1,4 bilhão (R$ 4,7 bilhões) na economia do país.

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“O interesse contínuo do Brasil pela legalização potencial da cannabis medicinal é parte de um fenômeno global, pois dezenas de países de todo o mundo começaram a considerar a cannabis como um tratamento médico viável para uma variedade de doenças e condições. Dada a vasta área territorial do Brasil, clima e localização geográfica estratégica, o Brasil possui grande potencial de mercado, não só para aplicações médicas domésticas, mas também para expandir sua exportação para países incapazes de cultivar localmente, como Europa e América Latina”, disse a fundadora e CEO da New Frontier Data, Giadha Aguirre de Carcer.

O CEO da brasileira The Green Hub, Marcel Grecco, confirma as palavras de seu parceiro americano. “Existe atualmente um grande interesse pela legalização da cannabis medicinal no Brasil, bem como o entendimento do impacto potencial dessa legalização e regulação da cannabis no Brasil. Trabalhando em conjunto, The Green Hub e New Frontier Data estão melhor equipados para fornecerem não apenas às empresas privadas, mas aos órgãos governamentais e aos reguladores, os dados, a avaliação e os conhecimentos dos esforços de legalização em todo o mundo, para avaliar o potencial jurídico, econômico e social. Esses recursos serão inestimáveis, pois os funcionários do governo brasileiro terão dados seguros e legais para examinarem o assunto”, explica Marcel Grecco.

A parceria entre New Frontier Data e The Green Hub foi firmada para fornecer aos reguladores e legisladores locais, regionais e nacionais que estão trabalhando ou interessados no desenvolvimento da indústria de cannabis medicinal, os dados que eles precisam para tomar decisões assertivas. O relatório Cannabis Medicinal no Brasil: 2018 Visão Geral é o primeiro passo para a obtenção de análise de dados socioeconômicos, com estatísticas e informações precisas sobre métodos científicos, testes e tecnologias de cannabis para o mercado brasileiro de cannabis medicinal.

“Estamos muito felizes pela oportunidade dessa parceria com uma empresa perspicaz e pioneira como The Green Hub em um momento tão determinante, não só no Brasil, mas também em outros países, cujos players comerciais desse setor começam a surgir”, afirmou Aguirre de Carcer.

Para obter mais informações sobre o relatório, visite http://thegreenhub.com.br

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Nova terapia pode diminuir os episódios de enxaqueca

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(Jornal O Globo online 30/11/2017. autor: não mencionado)

Desenvolvimento de anticorpos diminuiria também o grau da dor.

Uma a cada sete pessoas no mundo sofrem com enxaqueca. Pois uma nova terapia para prevenir crises pode diminuir o tanto número quanto o grau delas, mostraram dois ensaios clínicos. De acordo com os testes realizados nos estudos, cerca de 50% das pessoas analisadas tiveram uma redução pela metade do número de episódios da dor por mês. Pesquisadores da King”s College Hospital, responsáveis pelo estudo, classificaram o resultado como um “enorme acordo”.

O tratamento é o primeiro a ser desenvolvido especificamente para prevenir as dores com o uso de anticorpos para alterar a atividade química no cérebro. Apesar dos bons resultados, mais estudos ainda serão necessários para avaliar os efeitos colaterais a longo prazo.

A pesquisa mostrou um composto químico no cérebro – péptido relacionado com o gene da calcitonina ou CGRP (na sigla em inglês) – que está envolvido tanto na dor quanto na sensibilidade para “disparar” a enxaqueca.

Quatro empresas de medicamentos estão na corrida para desenvolver anticorpos capazes de neutralizar o CGRP. Alguns trabalhos são no sentido de aderir ao CGRP, enquanto outros são para bloquear a parte de uma célula do cérebro com a qual o composto interage. Estudos clínicos em dois dos anticorpos foram publicados no jornal científico “New England Journal of Medicine”.

Um antibiótico, de uma empresa farmacêutica, o erenumab, foi testado em 955 pacientes com enxaqueca episódica. No início do estudo, os pacientes tiveram uma média de oito dias de episódios por mês. O estudo descobriu que 50% destes que receberam injeções do anticorpo diminuirão pela metade o número de dias em que a dor se manifestava. Cerca de 27% tiveram um efeito similar sem a utilização do tratamento, o que reflete também o fluxo natural da doença.

Segundo contou à BBC o professor Peter Goadsby, que liderou os ensaios com o erenumab no centro de pesquisa NIHR da King”s: “É um grande acordo porque oferece um avanço na compreensão do distúrbio e no desenvolvimento de tratamentos contra a enxaqueca”.

O estudo demonstra, então, além da redução da frequência das crises, uma diminuição da severidade das dores de cabeça.

“Esses pacientes vão ter parte de suas vidas de volta e a sociedade terá estas pessoas retornando às suas funções.”

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IRCAD America Latina agora também no Rio de Janeiro

O IRCAD, maior centro de treinamento em cirurgias minimamente invasivas, vem proporcionando o treinamento de muitos cirurgiões latino americanos em sua atual sede, em Barretos (São Paulo). Com o intuito de proporcionar ainda mais oportunidades para esses profissionais, inaugurou no dia 30 de junho outro centro de treinamento no Brasil, localizado em um complexo de hospitais na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

O novo centro de treinamento vai funcionar em conjunto com a sede em Barretos (SP), de maneira a ampliar suas especialidades no país, garantindo que ainda mais cirurgiões sejam capacitados aqui e em todo o mundo. A previsão é que mais 40% do movimento seja de médicos estrangeiros. O instituto também estabeleceu irmandade com o UnitedHealth Group. Os primeiros cursos estarão com matrículas abertas a partir do segundo semestre de 2017.

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Segundo o presidente do IRCAD, Jacques Marescaux, em entrevista à revista do IRCAD, a nova unidade tem como principal objetivo maximizar o número de treinamentos na América Latina e, consequentemente, a qualidade dos tratamentos oferecidos aos pacientes, suprindo a demanda do continente, mesmo com os altos números da sede em Barretos, que acumula mais de 6 mil cirurgiões treinados. “Acho impossível que um só centro consiga treinar todos os cirurgiões do continente. Quando analisamos a perspectiva do Armando Melani (diretor científico do IRCAD) e do Henrique Prata (diretor do Hospital de Câncer de Barretos), sabemos que elas são oferecer grandes benefícios para os pacientes. Isso só é possível se possibilitarmos que os cirurgiões da América Latina tenham acesso ao que existe de mais avançado na cirurgia minimamente invasiva”, afirma Marescaux.

Segundo Armando Melani, Diretor Científico do IRCAD, das especialidades já confirmadas em breve iniciam-se no Rio de Janeiro cursos em ginecologia, como endometriose e mioma, e também áreas da cirurgia digestiva, abrangendo casos de refluxo, cirurgia bariátrica, vesícula e hérnias abdominais. Especialidades não relacionadas à cirurgia geral também estão inseridas na grade de cursos. Entre elas, as ortopédicas, radiologia intervencionista e trauma, além de outras que abrangem procedimentos como próteses e implantes. Ou seja, abordagens ainda não oferecidas em Barretos, com foco em robótica e cirurgia vascular.

O IRCAD Rio de Janeiro está localizado no Américas Medical City,  Av. Jorge Curi, 550 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ

fonte: Revista IRCAD 2017

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Coleta de sangue sem dor – um sonho que chega em breve ao mercado

by Daniel Souza

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Coletar sangue é folcloricamente tido como um procedimento “quase” indolor. “É só uma picadinha de mosquito” ou “quando você pensar na dor, já passou”. São explicações que não convencem os apavorados ou com baixa tolerância à dores e agulhas. Ouvi isso à vida inteira e me incluo nesse grupo – jamais acreditei nessas afirmações e, toda a vez que preciso ser espetado, o suor frio e a sensação de parar de respirar é o que precede a dor da tal picada.

Com o avanço acelerado das mais impressionantes tecnologias em medicina, sempre me perguntei porque extrair sangue (e o uso de agulhas, em geral) vinha sendo, há décadas, um procedimento tão medieval. Só nos EUA, são mais de 400 milhões de coletas com agulhas por ano. Pois um dispositivo desenvolvido por um grupo de inventores e apresentado no último Consumer Technology Association 2017 Digital Health Summit promete mudar essa realidade. É o TAP, sigla em inglês para Touch Activated Phlebotomy (Flebotomia Ativada pelo Toque).

O dispositivo, do tamanho de uma bola de golfe, extrai sangue de forma praticamente indolor, por meio de 30 micro agulhas que penetram camadas superficiais do epitélio. Em aproximadamente dois minutos de procedimento, são extraídos 100 microgramas de sangue. Segundo Mike Feibus, jornalista de saúde dos jornais US Today e Fortune (e que se submeteu ao procedimento), a micro punção realmente não dói. É como se o TAP fosse um “sanguessuga” eletrônico. Veja como funciona o TAP:

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O produto está em fase final de aprovação no FDA. Um dos estudos fornecidos comparou os níveis de dor com três tipos de métodos de coleta de sangue. Os dados mostraram que a pontuação de dor Wong-Baker para punção do dedo e punção venosa foi de 5, mas para o TAP foi de 2, indicando que ele é muito menos doloroso.

Tão logo seja aprovado pelo FDA, o fabricante entrará com estudos onde o paciente poderá colher seu próprio sangue, facilitando ainda mais o processo.

Conheça mais sobre o TAP, clicando aqui: TAP

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Boston Scientific adquire LumenR™

Líder mundial no segmento de endoscopy devices, a empresa americana amplia ainda mais seu portfólio de inovações.

by Boston Scientific Corporation

A Boston Scientific™ anunciou a aquisição do LumenR ™ Tissue Retractor System da LumenR LLC, uma empresa privada com sede em Newark, Califórnia. O Sistema Retractor Tissue LumenR, atualmente em desenvolvimento, vem para aprimorar os procedimentos de ressecção da mucosa e submucosa (ESD e EMR) em lesões de cólon, esôfago e estômago. Estes são procedimentos menos invasivos, quando comparados à cirurgia convencional na remoção de lesões pré-cancerosas e tumores malignos do trato gastrintestinal. O sistema permitirá uma melhor visualização das lesões, maximizando o resultado destes procedimentos.

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“Estamos entusiasmados com o potencial do sistema LumenR para melhorar a visibilidade e controle de procedimentos de ESD e EMR. Significa mais qualidade de vida para os pacientes”, disse Art Butcher, vice-presidente sênior e presidente da divisão de Endoscopia da Boston. “Todos os anos, muitos pacientes no mundo todo se submetem à cirurgias gastrointestinais invasivas e isso que tem um profundo impacto em suas vidas. Tecnologias inovadoras como esta dão a oportunidade para que mais médicos possam tratar seus pacientes com sucesso, por meio de procedimentos endoscópicos menos invasivos”.

O ESD e o EMR são procedimentos usados como parte do tratamento de combate ao Cânceres Colo retal, gástrico e esofágico. Nos EUA, mais de 137 mil homens e mulheres serão diagnosticados serão diagnosticados com Câncer colo retal esse ano. O aumento do rastreamento, bem como a remoção de lesões potencialmente cancerígenas contribuíram para uma redução de cerca de 30% das mortes por Câncer de Cólon no país nos últimos 10 anos.

Procedimentos como o ESD e EMR são comprovadamente eficazes, quando comparados à cirurgia tradicional, uma vez que reduzem custos com internação e riscos associados ao procedimento mais invasivo. “Obtivemos resultados promissores na redução do tempo de procedimento e das complicações durante nossa avaliação do sistema LumenR”, declara o Dr. Gregory Piskun, fundador e diretor executivo da LumenR, LLC. “Estamos animados com este investimento da Boston Scientific na aquisição e disponibilização para o mercado.”, diz.

A Boston Scientific integrará o sistema LumenR em seu portfólio de endoscopia, bem como fará as avaliações adicionais necessárias, antes da comercialização. Os termos da negociação entre as duas companhias ainda não foram divulgados, mas a aquisição da LumenR pouco irá impactarno lucro por ação da Boston em 2016 e 2017.

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Jovem cientista de 25 anos desenvolve poderosa arma contra Superbactérias

The Telegraph Journal – 25 sep/2016 (tradução livre – Daniel Souza) 

Não são muitos os jovens de 25 anos podem reivindicar para si que se levantam às 4h da manhã todos os dias, incluindo finais de semana para trabalhar, com o objetivo de salvar o mundo de um Armageddon iminente e que poderia custar dezenas de milhões de vidas. Pois nos últimos três anos, Shu Lam, um estudante de PhD da Malásia, da Universidade de Melbourne, tem feito exatamente isso. Fica em um laboratório trabalhando para descobrir como matar superbactérias que já não podem ser tratadas com antibióticos.

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Shu Lam, PHD – ajudando o mundo no combate às superbactérias

Shu acredita que tenha encontrado a chave para evitar uma crise de saúde muito grave. Na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) convocou a sua primeira assembléia geral para tratar de bactérias resistentes aos medicamentos.

Por que superbactérias podem ser a próxima grande ameaça para a humanidade? O uso excessivo e incorreto de antibióticos vem tornando algumas cepas de bactérias simplesmente intratáveis, permitindo a mutação constante das chamadas “superbactérias”. Recentemente, o problema foi descrito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon como uma “ameaça fundamental” para a saúde e a segurança global.

Superbactérias matam cerca de 700.000 pessoas por ano, entre elas 230.000 recém-nascidos. Mas, de acordo com um recente estudo britânico, este número vai subir para um montante de 10 milhões por ano até 2050 – tanto quanto os casos de Câncer – se nenhuma ação for tomada. Isso significa um baque de 100 trilhões de dólares para a economia global. Seguindo um movimento liderado pelo Reino Unido para aumentar a consciência do potencial impacto da resistência antimicrobiana, os membros da ONU se comprometeram a entregar, até 2018, um relatório atualizado sobre a guerra contra superbactérias.

Mas, em seu pequeno laboratório do outro lado do mundo, Shu Lam já está vários passos à frente. Ela acredita que o seu método de matar bactérias utilizando pequenas moléculas em forma de estrela, construídas com cadeias de unidades de proteínas chamadas polímeros peptídicos, possa ser uma alternativa inovadora aos antibióticos que já não funcionam.

Shu Lam trabalha em conjunto com o Professor Greg Qiao, da Universidade de Melbourne, Austrália. “Nós descobrimos que, por ser o polímero um alvo preferencial das bactérias, podemos matá-las de várias maneiras”, diz Lam, cercada por uma forte equipe de experts. “Uma das formas é causar danos físicos à bactéria, quebrando a parede celular dela. Isso cria um forte estresse sobre as bactérias, fazendo com que comecem a se matar”.

Sua pesquisa, publicada este mês na renomada revista Nature Microbiology, já foi festejada por cientistas como um avanço que poderia mudar a face da medicina moderna. Lam “constrói” as moléculas em forma de estrela no laboratório da renomada Escola de Engenharia de Melbourne. Cada estrela tem 16 ou 32 “braços” de polímeros peptídicos, um processo que ela compara a montar pequenos blocos de Lego.

Quando libertado, os polímeros ataca as diretamente superbactérias, ao contrário de antibióticos, que criam um “pântano tóxico” destruindo também as células vizinhas, saudáveis. Lam tem testado suas “estrelas” em seis superbactérias diferentes em laboratório e contra uma cepa de bactérias em ratinhos, todos com sucesso. Mesmo depois de várias mutações, as superbactérias se mostrara incapazes de lutar contra os polímeros de Lam.

“Achamos que os polímeros são realmente eficazes em expulsar infecções bacterianas”, diz ela. “Eles se mostram realmente eficazes no tratamento de camundongos infectados por bactérias resistentes aos antibióticos utilizados. Ao mesmo tempo, eles são inofensivos para as células saudáveis do corpo”. A pouca toxicidade dos polímeros se dá pelo tamanho dos polímeros peptídicos, cerca de 10 nanómetros em diâmetro. Grandes, eles não conseguem entrar nas células saudáveis.

Sua descoberta deixou pouco tempo para vida social. Devido à sensibilidade dos seus experimentos, até mesmo os fins de semana de Shu Lan são dedicados ao trabalho. “Por um tempo, eu tinha que vir para o laboratório às 04:00 da manhã para cuidar dos meus ratos e minhas células”, diz ela.

Mas para a filha de um médico, o sacrifício valeu a pena. “Eu sempre quis me envolver com algum tipo de pesquisa que pudesse ajudar a resolver sérios problemas”, diz ela. “Esta pesquisa é importante porque todos estão muito preocupados com superbactérias. De repente, um monte de pessoas começaram a me relatar que familiares (ou eles próprios) já tinha sido infectados ou perdido pessoas próximas, em decorrência de superbactérias”, acrescentou Lam. “Eu realmente espero que os polímeros que estamos desenvolvendo possa, de fato, ser uma solução, pois a crescente crise de superbactérias tem sido descrito por cientistas como um “lento tsunami”.

O mundo está lentamente despertando para a ameaça de uma era pós-antibiótico que poderia acabar com a medicina moderna e criar uma situação onde problemas comuns, como uma dor de garganta ou de joelho poderiam ser fatais. Foi Alexander Fleming, o escocês, que em 1928 descobriu a penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, que primeiro fez uma advertência sobre as consequências de seu uso indevido. “Há o perigo de que o homem ignorante possa, em função de subdosagem, submeter microrganismos à quantidades não letais da droga, tornando-os resistentes”. Fleming fez essa advertência ao receber o prêmio Nobel, em 1945.

Meros 71 anos após a descoberta de Fleming que revolucionou saúde global, Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, alerta que todos os ganhos que os antibióticos trouxeram para a medicina moderna podem ser perdidos. “A contar pelas tendências atuais, uma doença comum, como a gonorreia, por exemplo, pode se tornar intratável”, disse Chan na semana passada. “Os médicos terão que enfrentar a realidade de dizer aos seus pacientes: Sinto muito – não há nada que eu possa fazer por você'”

Um surto de uma cepa resistente de febre tifoide na África e uma forma de tuberculose encontrados em 105 países já se provaram resistentes aos antibióticos. Bactérias gram-negativas, causadoras de doenças tais como pneumonia, meningite e infecções cirúrgicas ou em feridas locais, também está opondo resistência. Enquanto isso, apenas duas novas classes de antibióticos entraram no mercado no último meio século.

Para as empresas farmacêuticas, os antibióticos têm-se revelado um investimento pouco interessante, porque os custos de desenvolvimento são elevados e as drogas livram o paciente da doença alvo, após um curto período de tempo. Em compensação, as doenças crônicas, tais como pressão alta, requerem tratamentos diário para o resto da vida de um paciente.“Incentivos devem ser criados para reinventarmos a era prolífica na descoberta de antibióticos, como no período de 1940-1960″, disse Chan.

Lam espera que sua pesquisa inovadora possa encorajar as empresas farmacêuticas a investir. “Eu espero que atraia algum interesse, porque o que nós descobrimos é bastante diferente de antibióticos”, diz ela.“As pessoas me dizem por favor, trabalhe mais para que possamos ter uma solução que seja colocada no mercado. Mas eu sempre digo que, em pesquisa, precisamos ter muita paciência, pois ainda há um longo caminho a percorrer. “

O Professor Greg Qiao, orientador no Doutorado de Lam, diz que o projeto é um dos maiores avanços científicos que ele tem presenciado em seus 20 anos na universidade de Melbourne. Mas ele adverte que ainda se encontra nos estágios iniciais e vai precisar de pelo menos mais cinco anos para se desenvolver, a menos que muitos milhões de dólares possam ser investidos para que o processo possa ser acelerado. Um imenso trabalho interdisciplinar ainda é necessário para reduzir ainda mais a toxicidade e trabalhar para encontrar a melhor maneira de administrar o tratamento, seja por comprimido ou injeção.

Professor Qiao acrescenta: “A notícia realmente boa é que, no momento, se você tem a presença de uma superbactéria, fora os antibióticos, não há muito que se possa fazer. Temos, ao menos, uma alternativa agora.”

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GlaxoSmithKline modifica modelo de negócio no Brasil

Jornal Valor Econômico (04/10/2016) – matéria na íntegra

Sob a gestão de Aleksey Kolchin, novo presidente da operação brasileira, a GlaxoSmithKline (GSK), uma das maiores farmacêuticas do mundo, está implantando um novo modelo de negócios no país. Alinhada com a nova estratégia global para promover seus produtos junto à classe médica, a GSK do Brasil deixou de pagar para propagandistas bônus atrelados à prescrição de seus produtos, bem como viagens de médicos ou participação desses profissionais em palestras sobre tratamentos desenvolvidos pela empresa.

Agora, o foco é explorar cada vez mais plataformas multicanais, sobretudo digital, para conversar com profissionais da saúde. É um modelo onde o representante de vendas assumirá cada vez mais o papel de gestor de informação. Além disso, a GSK pretende direcionar mais recursos a instituições de pesquisa. “A tecnologia segue colocando a indústria farmacêutica no futuro”, explica Kolchin, que assumiu o comando da operação brasileira em dezembro de 2015. “Os representantes vão gerenciar um número maior de médicos e definir como falar ou fazer chegar a informação a um determinado profissional”, afirma.

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O novo posicionamento da GSK, pioneiro num setor que tradicionalmente recorre à visitação para promover seus produtos, foi anunciado no fim de 2013. Naquele ano, a farmacêutica se viu envolvida em um escândalo de pagamentos irregulares a médicos e autoridades na China, que ainda hoje repercute. Mas o executivo¬chefe da companhia, Andrew Witty, garante que a nova abordagem, que em 2011 já era testada nos Estados Unidos, não tem relação com o episódio.

“Nós já vínhamos nos perguntando se não haveria diferentes caminhos, formas mais efetivas de se operar, do que os meios que a indústria têm usado nos últimos 30, 40 anos”, disse Witty, em entrevista ao jornal “The New York Times”, publicada em 16 de dezembro de 2013. Desde então, a estratégia da GSK ganhou musculatura e, atualmente, no Japão, conferências via internet (webinar) podem atingir um público de 2 mil pessoas.

Uma pesquisa recente da consultoria McKinsey& Company também procurou respostas a essa indagação e chegou à conclusão de que os médicos estão abertos a novidades na forma como se relacionam com os laboratórios e isso pode trazer ganhos à indústria. O estudo aponta que o uso de multicanais (vídeos, telefonemas, e-mails, webconferências, entre outros) traz ganhos mensuráveis e algumas farmacêuticas chegaram a registrar aumento de 10% a 15% nas vendas, com redução em torno de 10% dos gastos com marketing.

Para Kolchin, o uso da tecnologia traz ganhos de produtividade e amplia o alcance das estratégias de divulgação, sem necessariamente levar à redução da força de vendas. “Estamos contratando nesse momento”, diz o executivo. No Brasil, a divisão farmacêutica da GSK conta com cerca de 430 representantes. “Esse novo modelo cria outros postos, como por exemplo em governança. É preciso verificar se as políticas estão sendo cumpridas”, explica.

Ao mesmo tempo, comentou Kolchin, canais digitais não conseguirão cobrir todo o contato com médicos e há profissionais mais conservadores, que ainda preferem o contato pessoal. “Não acredito nisso [na substituição integral da visita]. O que está havendo é a adição de novos canais, o que trará mais eficiência e produtividade”, ressalta. Com novos canais, argumenta, será possível chegar a mais médicos.

O executivo, nascido na Rússia e formado em Medicina, afirma que o Brasil é o melhor lugar para se estar entre os países emergentes, em termos de carreira, especialmente neste momento de transição para o novo modelo de negócios. A divisão farmacêutica da GSK no país deve encerrar 2016 com vendas totais de R$ 2 bilhões, após ter registrado crescimento de 29% no primeiro semestre.

A percepção, diz o executivo, é a de que há retomada da confiança no país, mas a crise econômica, uma das mais graves da história, deixou algumas marcas no mercado farmacêutico nacional, com impacto diferente em cada segmento. As vendas em volume de medicamentos, exemplifica, chegaram a mostrar declínio, em um mercado cujo crescimento nos últimos anos superou a marca 10% ao ano. Ainda assim, o Brasil continua sendo um dos melhores mercados em desempenho no mundo.

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