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Cannabis para fins medicinais – dilema longe de ser resolvido

Apesar do uso medicinal da cannabis ser amplamente debatido em países europeus e americanos, no Brasil o tema é embrionário. É grande a insegurança quanto ao desenvolvimento e ação nesse mercado, o que trava qualquer solução por parte dos poderes Legislativo e Judiciário. Com isso torna-se mais remota ainda a possibilidade de investidores destes segmentos olharem para o país.

O Brasil é signatário das duas maiores convenções sobre a regulamentação de drogas entorpecentes e narcóticos do mundo: a Convenção de 1961 e a Convenção de 1971. Os participantes de ambas se comprometem a combater o tráfico de drogas e entorpecentes de forma ampla e irrestrita, por meio de regulamentação própria.

A nossa Constituição trata o Tráfico de Drogas como caso de Segurança Pública, a ser conduzido por forças policiais e com medidas claras de prevenção, proibição à produção e tráfico, definidas na Leia de Drogas.  O cultivo, plantio, colheita, beneficiamento, também são previstos em lei e considerados proibidos.

O único acesso à cannabis permitido no Brasil é relativo aos dois itens que podem ser extraídos, o Canabidiol e o Tetraidocanabidiol. Pais de crianças portadoras de doenças como Esclerose Múltipla, Esquizofrenia, Paralisia Cerebral, Convulsões e outras, por meio de ação judicial, conseguem acesso ao produto. Apesar disso, até o momento, a questão da cannabis e sua intrincada árvore de decisões sobre usos e limites, não parede estar no horizonte de prioridades da ANVISA.

fonte: Jornal Valor Econômico e portal GreenMe

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James Allison e Tasuku Honjo – Nobel de Medicina 2018 por avanços no combate ao Câncer

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James Allison (EUA) e Tasuko Honjo (Japão)

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2018 foi para as mãos de dois imunologistas. James Allison, do MD Anderson Cancer Center no Texas, Estados Unidos, e Tasuku Honjo, da Kyoto University, no Japão, deram passos fundamentais ao desenvolver novos tipos de imunoterapias que ajudam nosso sistema imune a combater o câncer, principalmente o de pulmão e o mieloma.

Células imunes precisam de estrito controle para serem impedidas de se transformarem em organismos inapropriados que causam inflamações. Células do nosso sistema imune têm uma série de “interruptores” de ‘ligado’ e ‘desligado’ que funcionam harmonicamente para ajudar a regular suas funções. Quando ‘desligadas’ – chamadas de “checkpoints” -, funcionam mais ou menos como os freios de um carro.

Essa ação de balanceamento imune geralmente funciona bem, mas não é o caso em tumores cancerígenos: eles podem encorajar os freios imunes a ficarem ligados, o que significa que a resposta é diminuída e as células não podem matar os tumores efetivamente.

Ao explorar o conhecimento sobre o funcionamento de células imunes, os pesquisadores descobriram que é possível ajuda-las a atacarem o tumor. O tratamento funciona ao liberar os freios de células imunes específicas, chamadas células T. Isso permite que elas ficam ligadas e possam matar as células tumorosas.

Allison estava estudando uma proteína chamada CLTA-4, que é um freio importantíssimo em nosso sistema imune. Ele compete com os interruptores de “ligado” para ajudar a controlar a imunidade. Percebeu, então, que bloquear a ação da CTLA-4 teria um potencial incrível para ajudar as células imunes a atacarem células de tumores.

Honjo descobriu outro grupo de checkpoints chamados “família PD-1”. Esta família de proteínas trabalha de uma forma totalmente diferente da CTLA-4, mas também age como um freio imune.

Os dois pesquisadores enxergaram o potencial de seu trabalho e perceberam que mirar nestes dois grupos de freios imunes poderia revolucionar a terapia de câncer. A descoberta de inibidores de checkpoints como imunoterapia foi revolucionária na terapia de câncer.

Terapia combinada

Um bônus é que, como estas terapias têm diferentes mecanismos, elas podem ser usadas ao mesmo tempo. A terapia combinada provou, em alguns casos, ser mais efetiva no tratamento de tumores em pacientes do que uma droga sozinha.

O campo da imunoterapia é um dos mais empolgantes em imunologia. Conforme aprendemos mais sobre imunologia e como células imunes trabalham, identificamos mais checkpoints e mais formas de empoderar nosso sistema imune para lutar contra o câncer.

A imunoterapia também é importante para outras doenças como autoimunidade, onde o sistema imune reage de forma exagerada. Neste aso, é possível regulá-lo “para baixo”, ajudando o corpo a encontrar equilíbrio.

Conforme descobrimos mais sobre imunologia, o número de alvos que podemos observar para manipular a aplicação de imunoterapias cresce, fazendo este um momento incrível para ser um imunologista.

Esta premiação brinda um incrível trabalho feito por dois laboratórios e é uma realização fantástica. Ainda assim, é importante reconhecer que esta pesquisa revolucionária foi construída através de um trabalho fundamental de imunologia, e que há um lugar crucial para ela, assim como trabalhos clinicamente aplicados em pesquisa.

Revista Galileu, matéria na integra da jornalista Sheena Chuckshank. Para acesso ao conteúdo original, clique aqui.

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Estudo associa alimentos inflamatórios a risco de câncer colorretal

Um estudo publicado em 18 de janeiro de 2018, na revista acadêmica JAMA Oncology associou alimentos como carnes, grãos refinados e bebidas calóricas, definidos como causadores de inflamação, a um mais acentuado risco de câncer colorretal em indivíduos de ambos os sexos, masculino e feminino.

121.050 profissionais de saúde foram acompanhados por 26 anos em estudos de longa duração e completaram questionários sobre o que comeram. A análise das informações foi realizada em 2017.

“Houve um grande interesse no papel da dieta no processo da inflamação, e de fato, um grande número de dietas anti-inflamatórias começaram a ser promovidas. Esse é um estudo observacional, não-intervencional, então ele possui algumas limitações, mas trouxe um um pouco de luz à questão”, comenta a Dra. Marjorie McCullough, dietista e diretora estratégica de Epidemiologia Nutricional da Sociedade Americana de Câncer (ACS).

Green And Red Healthy Food

“Existem muitas maneiras nas quais a dieta pode influenciar o risco de câncer colorretal, inclusive atenuar ou acentuar a inflamação, o que foi o foco dessa pesquisa. A inflamação crônica pode causar danos no DNA e levar a um crescimento desregulado de células. Outras maneiras nas quais a dieta pode influenciar o risco de câncer colorretal é através dos seus efeitos antioxidantes (protegendo contra danos genéticos), influenciando o ciclo das células, e no consumo direto de alimentos cancerígenos.”

O câncer colorretal é um tipo comum da doença, apontado por pesquisas recentes como o terceiro tipo de câncer mais diagnosticado nos Estados Unidos. Como se acredita que a inflamação tem um papel em seu desenvolvimento, o estudo defende, como estratégia para a redução do risco da doença, uma diminuição do papel adverso de uma dieta pró-inflamatória.

“Enquanto é tentador focar em alimentos específicos, a maneira na qual a dieta em geral contribui para esse efeito inflamatório é mais importante do que focar em alimentos individuais, pois os alimentos podem agir juntos na influência do risco da doença.”

“É possível que o impacto da dieta é ainda maior do que o que foi mesurado no presente estudo, que capturou apenas alguns dos alimentos que são possivelmente influenciadores da inflamação. Por exemplo, alguns temperos e métodos de preparação de alimentos que não foram incluídos podem ter fortes efeitos.”

McCullough apontou como ponto positivo desse estudo o fato de que ele teve base na

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Dra. Marjorie McCullough

dieta de maneira holística, não apenas em alimentos isolados.

“É interessante considerar que o que você come deve ser tão importante quanto o que você evita comer. Em outras palavras, muitos alimentos e bebidas são meras substituições, um pelo outro […] Outro importante aspecto do estudo é que ele é focado em alimentos, não mencionando suplementos nutricionais.”

Marjorie também comentou sobre a determinação da Agência Internacional pela Pesquisa em Câncer (IARC) de que a carne processada é cancerígena, e a carne vermelha provavelmente também, e de que, dessa maneira, o consumo de menores porções de ambas iria reduzir o risco de câncer colorretal. “Alimentos integrais e laticínios reduzidos em gordura são associados com um risco menor desse tipo de câncer”.

Os itens integrais podem ajudar a diluir as substâncias cancerígenas, e quanto aos laticínios, eles possuem cálcio e vitamina D, que têm efeitos benéficos na proliferação e diferenciação de células, de acordo com a especialista. Ela encerrou seu assunto reafirmando a importância de pensar a dieta de uma maneira geral, como uma combinação de alimentos saudáveis e restrição de alimentos maléficos, para diminuir as chances de um aumento no risco de câncer.

fonte: Portal Oncologia Brasil, na íntegra

para ter acesso ao estudo completo, clique AQUI.

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Aparelho silencia zumbido fantasma

(fonte: Correio Braziliense, 04 de janeiro de 2018 – Página: 16 – autor: não assinado)

Quase todo mundo já teve, ao menos uma vez na vida, a perturbadora sensação de ouvir um som inexistente. No geral, isso acontece depois de muito tempo exposto ao barulho, mas também pode surgir sem causa evidente. Para algumas pessoas, porém, o fenômeno é crônico e pode, inclusive, atingir os dois ouvidos simultaneamente. As consequências de viver coma impressão de ter um apito ou zumbido constante na cabeça são muitas: vão de dificuldade de concentração a depressão e ansiedade. Agora, em um experimento com 20 voluntários, descrito na revista Science Translational Medicine desta semana, pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, demonstraram que um tratamento experimental não invasivo é capaz de minimizar e, em alguns casos, acabar com o problema.

zumbido

Trata-se de um aparelho que consegue calar os sons fantasmas se focando na atividade desordenada de alguns nervos no cérebro. Baseado em anos de pequisa sobre as causas da condição, o equipamento usa sons e impulsos elétricos fracos, precisamente cronometrados, que ativam os nervos sensíveis ao toque, com objetivo de controlar as células nervosas danificadas para que voltem à atividade normal.

Depois de quatro semanas de uso diário do dispositivo, os participantes reportaram que o volume dos sons fantasmas diminuiu e que a qualidade de vida melhorou. Um tratamento-placebo, que usou apenas sons, não produziu qualquer efeito, ressalta o artigo. Na fase pré-clínica, os experimentos foram realizados em porquinhos-da-índia. Depois, passou-se à fase de teste com humanos, no esquema duplo-cego: nem os voluntários nem os cientistas sabiam quem estava recebendo o placebo ou o tratamento verdadeiro. Agora, a equipe da Universidade de Michigan está perto de começar a comercializar o equipamento. Atualmente, os cientistas trabalham com financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos para realizar novos testes e, assim, aperfeiçoar a abordagem. “O cérebro, especificamente a região do tronco cerebral chamada núcleo coclear dorsal, é a raiz do tinnitus”, diz Susan Shore, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan que liderou a equipe de pesquisadores. Quando os principais neurônios dessa região, chamados células fusiformes, se tornam hiperativos e sincronizam-se uns com os outros, o sinal fantasma é transmitido para outros centros, em que ocorre a percepção.

“Se conseguimos parar com esses sinais, então, paramos com o tinnitus. É o que nossa abordagem tenta fazer, e estamos encorajados por esses resultados iniciais, verificados em animais e humanos”, diz.

Sentidos

Chamada estimulação-alvo bimodal auditiva-somatossensorial, a abordagem envolve dois sentidos. O equipamento toca um som que chega aos ouvidos, alternando-o com intervalos de pulsos elétricos suaves e precisamente cronometrados, aplicados às bochechas ou ao pescoço. Isso desencadeia um processo conhecido por plasticidade dependente do tem-pode estímulo (STDP, sigla em inglês), primeiramente explorada em animais, que leva a mudanças de longo prazo na taxa em que os nervos disparam.

A abordagem pretende recompor a atividade das células fusiformes, que normalmente ajudam o cérebro a receber e processar tanto sons quanto sensações, como um toque ou uma vibração, o que os cientistas chamam de insumos somatos-sensoriais. Sob condições normais, as células fusiformes ajudam o cérebro a se focar na direção de onde vêm os sons e auxiliar as pessoas a sintonizar as sensações resultantes do movimento da cabeça e do pescoço.

Porém, pesquisas da equipe da Universidade de Michigan com animais mostraram que o barulho alto pode desencadear uma mudança na atividade dessas células nervosas, alterando sua afinação de tempo, de forma que acaba disparando sinais sincronizados espontaneamente em vez de esperar por um som real no ambiente externo.

Esses eventos em animais são semelhantes aos que ocorrem em humanos. Depois de expostas a sons altos, traumas na cabeça e/ou pescoço ou outros gatilhos, algumas pessoas desenvolvem a sensação crônica de ouvir sons como chiados, zumbidos ou apitos. Aproximadamente 15% dos norte-americanos têm algum nível de tinnitus, mas os piores sintomas ocorrem em cerca de 10%, de acordo com estimativas feitas a partir de entrevistas com amostras populacionais representativas.

Muitos desses indivíduos com o problema mais severo também sofrem de perda de audição. Acredita-se que até 2 milhões de norte-americanos não possam trabalhar ou desempenhar atividades do dia a dia por causa do barulho persistente ou devido ao estresse psicológico causado por ele. Entre os veteranos, o tinnitus é o principal motivo de dispensa do serviço militar. Não há estatísticas sobre quantos brasileiros sofrem do problema. Melhora na qualidade de vida Os tratamentos atuais incluem tentativas de combater o estresse psicológico causado pelo problema, como a terapia cognitivo-comportamental. Outras abordagens usam sons para mascarar os barulhos fantasmas ou tentam modular a resposta cerebral. Para casos mais severos ,recorre-se a métodos mais invasivos, como a estimulação cerebral profunda. Já a terapia proposta pela equipe de Michigan pretende modular e corrigir padrões neurais anormais de maneira não invasiva. Após esse tratamento, a queda no volume do som fantasma foi de cerca de 12 decibéis, sendo que, em dois casos, houve eliminação total do barulho, A pesquisa de qualidade de vida demonstrou que, em média, os pacientes tiveram redução significativa na pontuação (quanto menos pontos, maior a qualidade), embora o tamanho do efeito tenha variado individualmente.

No geral, esses resultados se mantiveram ao menos quatro semanas depois do experimento. Nenhum voluntário piorou nem teve efeitos adversos. Alguns disseram que o som fantasma ficou muito fraco, ficando fácil ignorá-lo. “Estamos definitivamente encorajados por esses resultados, mas precisamos otimizar a duração dos tratamentos, identificar os subgrupos de pacientes que mais vão se beneficiar e determinar se essa abordagem funciona naqueles que têm formas que não podem ser moduladas por manobras da cabeça e do pescoço”, afirma Susan Shore, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan.

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Legalização da Cannabis Medicinal pode movimentar US$ 1,4 bilhão no Brasil

(Exame.com – 30 de novembro de 2017)

A New Frontier Data, autoridade global da indústria de cannabis em relatórios de inteligência de negócios e análise de dados, em parceria com The Green Hub, uma das primeiras plataformas de pesquisa e informação de cannabis medicinal no Brasil, acaba de publicar sua primeira análise aprofundada do mercado brasileiro – Cannabis Medicinal no Brasil: 2018 Visão Geral, com detalhamento do potencial impacto da legalização da cannabis medicinal no Brasil.

Segundo o estudo, a legalização da cannabis medicinal pelo governo brasileiro para diversos tratamentos, como ansiedade, câncer, autismo, Alzheimer e outros, o número de pacientes nos primeiros 36 meses de vendas legais de cannabis poderia chegar a 959 mil. Ao incluir o seu uso também no tratamento de dor crônica, o número alcançaria aproximadamente 3,4 milhões de pacientes ao ano, movimentando o equivalente a US$ 1,4 bilhão (R$ 4,7 bilhões) na economia do país.

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“O interesse contínuo do Brasil pela legalização potencial da cannabis medicinal é parte de um fenômeno global, pois dezenas de países de todo o mundo começaram a considerar a cannabis como um tratamento médico viável para uma variedade de doenças e condições. Dada a vasta área territorial do Brasil, clima e localização geográfica estratégica, o Brasil possui grande potencial de mercado, não só para aplicações médicas domésticas, mas também para expandir sua exportação para países incapazes de cultivar localmente, como Europa e América Latina”, disse a fundadora e CEO da New Frontier Data, Giadha Aguirre de Carcer.

O CEO da brasileira The Green Hub, Marcel Grecco, confirma as palavras de seu parceiro americano. “Existe atualmente um grande interesse pela legalização da cannabis medicinal no Brasil, bem como o entendimento do impacto potencial dessa legalização e regulação da cannabis no Brasil. Trabalhando em conjunto, The Green Hub e New Frontier Data estão melhor equipados para fornecerem não apenas às empresas privadas, mas aos órgãos governamentais e aos reguladores, os dados, a avaliação e os conhecimentos dos esforços de legalização em todo o mundo, para avaliar o potencial jurídico, econômico e social. Esses recursos serão inestimáveis, pois os funcionários do governo brasileiro terão dados seguros e legais para examinarem o assunto”, explica Marcel Grecco.

A parceria entre New Frontier Data e The Green Hub foi firmada para fornecer aos reguladores e legisladores locais, regionais e nacionais que estão trabalhando ou interessados no desenvolvimento da indústria de cannabis medicinal, os dados que eles precisam para tomar decisões assertivas. O relatório Cannabis Medicinal no Brasil: 2018 Visão Geral é o primeiro passo para a obtenção de análise de dados socioeconômicos, com estatísticas e informações precisas sobre métodos científicos, testes e tecnologias de cannabis para o mercado brasileiro de cannabis medicinal.

“Estamos muito felizes pela oportunidade dessa parceria com uma empresa perspicaz e pioneira como The Green Hub em um momento tão determinante, não só no Brasil, mas também em outros países, cujos players comerciais desse setor começam a surgir”, afirmou Aguirre de Carcer.

Para obter mais informações sobre o relatório, visite http://thegreenhub.com.br

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Nova terapia pode diminuir os episódios de enxaqueca

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(Jornal O Globo online 30/11/2017. autor: não mencionado)

Desenvolvimento de anticorpos diminuiria também o grau da dor.

Uma a cada sete pessoas no mundo sofrem com enxaqueca. Pois uma nova terapia para prevenir crises pode diminuir o tanto número quanto o grau delas, mostraram dois ensaios clínicos. De acordo com os testes realizados nos estudos, cerca de 50% das pessoas analisadas tiveram uma redução pela metade do número de episódios da dor por mês. Pesquisadores da King”s College Hospital, responsáveis pelo estudo, classificaram o resultado como um “enorme acordo”.

O tratamento é o primeiro a ser desenvolvido especificamente para prevenir as dores com o uso de anticorpos para alterar a atividade química no cérebro. Apesar dos bons resultados, mais estudos ainda serão necessários para avaliar os efeitos colaterais a longo prazo.

A pesquisa mostrou um composto químico no cérebro – péptido relacionado com o gene da calcitonina ou CGRP (na sigla em inglês) – que está envolvido tanto na dor quanto na sensibilidade para “disparar” a enxaqueca.

Quatro empresas de medicamentos estão na corrida para desenvolver anticorpos capazes de neutralizar o CGRP. Alguns trabalhos são no sentido de aderir ao CGRP, enquanto outros são para bloquear a parte de uma célula do cérebro com a qual o composto interage. Estudos clínicos em dois dos anticorpos foram publicados no jornal científico “New England Journal of Medicine”.

Um antibiótico, de uma empresa farmacêutica, o erenumab, foi testado em 955 pacientes com enxaqueca episódica. No início do estudo, os pacientes tiveram uma média de oito dias de episódios por mês. O estudo descobriu que 50% destes que receberam injeções do anticorpo diminuirão pela metade o número de dias em que a dor se manifestava. Cerca de 27% tiveram um efeito similar sem a utilização do tratamento, o que reflete também o fluxo natural da doença.

Segundo contou à BBC o professor Peter Goadsby, que liderou os ensaios com o erenumab no centro de pesquisa NIHR da King”s: “É um grande acordo porque oferece um avanço na compreensão do distúrbio e no desenvolvimento de tratamentos contra a enxaqueca”.

O estudo demonstra, então, além da redução da frequência das crises, uma diminuição da severidade das dores de cabeça.

“Esses pacientes vão ter parte de suas vidas de volta e a sociedade terá estas pessoas retornando às suas funções.”

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Diabetes mata 1 pessoa a cada 6 segundos; obesidade aumenta risco

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(Veículo: Folha Vitória – Data: 14/11/2017, autor: não informado)

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em diabéticos. Mais de 415 milhões de pessoas vivem com diabetes no mundo, sendo 14,3 milhões apenas no Brasil, e o número deve subir para 642 milhões até 2040.

Apesar de bastante comum e tratável, muitos diabéticos não controlam a doença e sofrem graves consequências, como amputação de membros, cegueira e problemas cardiovasculares. Neste dia Mundial de Diabetes, lembrado nesta terça-feira (14), o R7 conversou com especialistas para alertar a população sobre os perigos desta doença silenciosa, que mata uma pessoa a cada 6 segundos no mundo.

A diabetes é uma doença que provoca o aumento de açúcar no sangue como resultado do mau funcionamento da insulina — hormônio responsável por transportar o açúcar para dentro das células do corpo.

Há dois tipos de diabetes: o 1 e o 2, segundo a endocrinologista e professora adjunta de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal do Paraná, Rosangela Réa. “O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que leva à destruição das células do pâncreas. Geralmente, ela é descoberta na infância e adolescência e atinge cerca de 10% dos portadores. O início é repentino e os sintomas, graves, por isso, é necessária reposição imediata de insulina. Já no diabetes tipo 2, o paciente pode até produzir insulina, mas com algum defeito ou ela não é aproveitada de forma correta pelo organismo. Isso acontece em mais de 90% dos casos. Este tipo costuma aparecer depois dos 40 anos. Porém, devido aos maus hábitos, pacientes cada vez mais jovens estão sendo diagnosticados”. O diagnóstico da diabetes é simples e feito por meio testes de glicemia e exames de sangue, o que poderia ser feito no atendimento básico. Os casos menos graves podem ser tratados com um clínico geral, por exemplo, mas o ideal é procurar um especialista, explica o endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Luiz Turatti.

 “Com a evolução da doença, há necessidade de se fazer reajustes nos medicamentos, modificando o tratamento. Não é só tratar a doença, mas também as complicações. Sabe-se que 80% dos pacientes diabéticos morrem de doenças cardiovasculares e podem sofrer com outros problemas, como cegueira. 50% dos pacientes já sofrem com complicações quando descobrem a doença. ” Ainda segundo Rosangela, a diabetes pode não ter sintomas em muitos casos, mas os sinais mais comuns são muita sede, vontade de fazer xixi várias vezes e perda de peso. “É preciso conscientizar a população de que a diabetes tipo 2 está aparecendo cada vez mais cedo por causa da obesidade e dos maus hábitos. Por isso, a incidência está aumentando cada vez mais”. Mata mais que AIDS As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes diabéticos do tipo 2. Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento que costuma incluir mudança de hábitos de vida e, em alguns casos, medicação, diz Rosangela. “O paciente pode ficar anos com a doença e, quando recebe o diagnóstico, já sobre com as complicações, que atingem tanto pacientes do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2. Estudos mostram que a melhora do controle glicêmico reduz esses problemas, como risco de infarto, cirurgia de catarata, amputações etc”. Segundo a especialista, dados da Federação Internacional de Diabetes mostram que a doença mata mais que a AIDS, malária e tuberculose juntas. Em 2015, 5 milhões de pessoas morreram no mundo vítimas da diabetes, sendo 130 mil apenas no Brasil. Ou seja, uma pessoa morre a cada 6 segundos por causa da doença. “ No mesmo ano, o Brasil gastou R$ 21,8 bilhões com pacientes diabéticos e o 5º País que mais gasta com a doença. Grande parte dessas despesas ocorre por causa das complicações, que poderiam ser evitadas com o bom controle da doença. Estudos mostram que apenas 26,8% dos pacientes com diabetes tipo 2 controlam o índice glicêmico. No tipo 1, a porcentagem é de 10,4%”, completa Rosangela. Prevenção e fatores de risco A diabetes tipo 1 é genética, então não há como evitar. Já a diabetes tipo 2 é intimamente ligada à obesidade e ao sedentarismo, além de herança genética. Mulheres grávidas também podem desenvolver a diabetes gestacional e, futuramente, têm mais chances de ter a doença, segundo a endocrinologista do Hospital 9 de Julho Roberta Frota Villas Boas. “Não necessariamente ela vai ter diabetes, mas é uma forte candidata, por isso ela precisa cuidar do peso e da alimentação”. Muita gente associa a diabetes ao hábito de comer muito doce. Porém, se a pessoa não tiver tendência, ela não vai desenvolver a doença mesmo se “entupir” de guloseimas, explica Roberta. O que de fato pode desencadear o problema é a obesidade. “O tecido gorduroso produz uma série de substâncias que são prejudiciais à algumas funções do nosso corpo, entre elas, a produção de insulina. Esse hormônio é o responsável pelo aproveitamento da glicose [açúcar] ser aproveitado nas células. Com o aumento de peso, o pâncreas produz menos insulina, que fica sobrando no sangue”. Pacientes que costumam fazer exames periódicos podem ser diagnosticados com pré-diabetes, ou seja, antes que a doença se desenvolva. “Se o paciente tiver alimentação saudável, fazer atividade física e perder peso ele pode reverter o quadro. ”, afirma Roberta. Tratamento para vida normal Em pacientes com diabetes tipo 1, o único tratamento é o uso de insulina, já que o paciente não produz este hormônio. Já no tipo 2, dependendo da gravidade do quadro, o paciente pode se tratar com medicamentos orais e mudança de hábitos, como a prática de atividade física e alimentação saudável.

Posteriormente, ele pode precisar de insulina, explica Rosangela. Para injetar a insulina no corpo, alguns pacientes, principalmente os do tipo 1, utilizam a bomba de insulina, que é um equipamento que libera quantidades pequenas do hormônio durante o dia. O problema, segundo Roberta, é o alto custo do aparelho. “A bomba é a forma mais eficaz e moderna de aplicar insulina, mas o custo é elevado [a partir de R$ 12 mil]. É um cateter que fica acoplado na pessoa e libera as doses calculadas para aquele paciente, de acordo com o estilo de vida dele etc. O tratamento é totalmente individualizado. Por isso, o mais comum é a utilização da caneta e da seringa, que é disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ”. A partir de 2018, unidades do SUS vão distribuir a caneta a 100 mil crianças com diabetes do tipo 1. Ainda segundo Turatti, para reverter o quadro de diabéticos no Brasil é necessário que as pessoas tenham mais educação sobre a doença. “É um absurdo a quantidade de informações falsas sobre tratamentos milagrosos que prometem curar a doença ou que orientam o paciente a deixar de tomar os medicamentos. A diabetes não tem cura, mas tem controle”.

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Jovem cientista de 25 anos desenvolve poderosa arma contra Superbactérias

The Telegraph Journal – 25 sep/2016 (tradução livre – Daniel Souza) 

Não são muitos os jovens de 25 anos podem reivindicar para si que se levantam às 4h da manhã todos os dias, incluindo finais de semana para trabalhar, com o objetivo de salvar o mundo de um Armageddon iminente e que poderia custar dezenas de milhões de vidas. Pois nos últimos três anos, Shu Lam, um estudante de PhD da Malásia, da Universidade de Melbourne, tem feito exatamente isso. Fica em um laboratório trabalhando para descobrir como matar superbactérias que já não podem ser tratadas com antibióticos.

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Shu Lam, PHD – ajudando o mundo no combate às superbactérias

Shu acredita que tenha encontrado a chave para evitar uma crise de saúde muito grave. Na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) convocou a sua primeira assembléia geral para tratar de bactérias resistentes aos medicamentos.

Por que superbactérias podem ser a próxima grande ameaça para a humanidade? O uso excessivo e incorreto de antibióticos vem tornando algumas cepas de bactérias simplesmente intratáveis, permitindo a mutação constante das chamadas “superbactérias”. Recentemente, o problema foi descrito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon como uma “ameaça fundamental” para a saúde e a segurança global.

Superbactérias matam cerca de 700.000 pessoas por ano, entre elas 230.000 recém-nascidos. Mas, de acordo com um recente estudo britânico, este número vai subir para um montante de 10 milhões por ano até 2050 – tanto quanto os casos de Câncer – se nenhuma ação for tomada. Isso significa um baque de 100 trilhões de dólares para a economia global. Seguindo um movimento liderado pelo Reino Unido para aumentar a consciência do potencial impacto da resistência antimicrobiana, os membros da ONU se comprometeram a entregar, até 2018, um relatório atualizado sobre a guerra contra superbactérias.

Mas, em seu pequeno laboratório do outro lado do mundo, Shu Lam já está vários passos à frente. Ela acredita que o seu método de matar bactérias utilizando pequenas moléculas em forma de estrela, construídas com cadeias de unidades de proteínas chamadas polímeros peptídicos, possa ser uma alternativa inovadora aos antibióticos que já não funcionam.

Shu Lam trabalha em conjunto com o Professor Greg Qiao, da Universidade de Melbourne, Austrália. “Nós descobrimos que, por ser o polímero um alvo preferencial das bactérias, podemos matá-las de várias maneiras”, diz Lam, cercada por uma forte equipe de experts. “Uma das formas é causar danos físicos à bactéria, quebrando a parede celular dela. Isso cria um forte estresse sobre as bactérias, fazendo com que comecem a se matar”.

Sua pesquisa, publicada este mês na renomada revista Nature Microbiology, já foi festejada por cientistas como um avanço que poderia mudar a face da medicina moderna. Lam “constrói” as moléculas em forma de estrela no laboratório da renomada Escola de Engenharia de Melbourne. Cada estrela tem 16 ou 32 “braços” de polímeros peptídicos, um processo que ela compara a montar pequenos blocos de Lego.

Quando libertado, os polímeros ataca as diretamente superbactérias, ao contrário de antibióticos, que criam um “pântano tóxico” destruindo também as células vizinhas, saudáveis. Lam tem testado suas “estrelas” em seis superbactérias diferentes em laboratório e contra uma cepa de bactérias em ratinhos, todos com sucesso. Mesmo depois de várias mutações, as superbactérias se mostrara incapazes de lutar contra os polímeros de Lam.

“Achamos que os polímeros são realmente eficazes em expulsar infecções bacterianas”, diz ela. “Eles se mostram realmente eficazes no tratamento de camundongos infectados por bactérias resistentes aos antibióticos utilizados. Ao mesmo tempo, eles são inofensivos para as células saudáveis do corpo”. A pouca toxicidade dos polímeros se dá pelo tamanho dos polímeros peptídicos, cerca de 10 nanómetros em diâmetro. Grandes, eles não conseguem entrar nas células saudáveis.

Sua descoberta deixou pouco tempo para vida social. Devido à sensibilidade dos seus experimentos, até mesmo os fins de semana de Shu Lan são dedicados ao trabalho. “Por um tempo, eu tinha que vir para o laboratório às 04:00 da manhã para cuidar dos meus ratos e minhas células”, diz ela.

Mas para a filha de um médico, o sacrifício valeu a pena. “Eu sempre quis me envolver com algum tipo de pesquisa que pudesse ajudar a resolver sérios problemas”, diz ela. “Esta pesquisa é importante porque todos estão muito preocupados com superbactérias. De repente, um monte de pessoas começaram a me relatar que familiares (ou eles próprios) já tinha sido infectados ou perdido pessoas próximas, em decorrência de superbactérias”, acrescentou Lam. “Eu realmente espero que os polímeros que estamos desenvolvendo possa, de fato, ser uma solução, pois a crescente crise de superbactérias tem sido descrito por cientistas como um “lento tsunami”.

O mundo está lentamente despertando para a ameaça de uma era pós-antibiótico que poderia acabar com a medicina moderna e criar uma situação onde problemas comuns, como uma dor de garganta ou de joelho poderiam ser fatais. Foi Alexander Fleming, o escocês, que em 1928 descobriu a penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, que primeiro fez uma advertência sobre as consequências de seu uso indevido. “Há o perigo de que o homem ignorante possa, em função de subdosagem, submeter microrganismos à quantidades não letais da droga, tornando-os resistentes”. Fleming fez essa advertência ao receber o prêmio Nobel, em 1945.

Meros 71 anos após a descoberta de Fleming que revolucionou saúde global, Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, alerta que todos os ganhos que os antibióticos trouxeram para a medicina moderna podem ser perdidos. “A contar pelas tendências atuais, uma doença comum, como a gonorreia, por exemplo, pode se tornar intratável”, disse Chan na semana passada. “Os médicos terão que enfrentar a realidade de dizer aos seus pacientes: Sinto muito – não há nada que eu possa fazer por você'”

Um surto de uma cepa resistente de febre tifoide na África e uma forma de tuberculose encontrados em 105 países já se provaram resistentes aos antibióticos. Bactérias gram-negativas, causadoras de doenças tais como pneumonia, meningite e infecções cirúrgicas ou em feridas locais, também está opondo resistência. Enquanto isso, apenas duas novas classes de antibióticos entraram no mercado no último meio século.

Para as empresas farmacêuticas, os antibióticos têm-se revelado um investimento pouco interessante, porque os custos de desenvolvimento são elevados e as drogas livram o paciente da doença alvo, após um curto período de tempo. Em compensação, as doenças crônicas, tais como pressão alta, requerem tratamentos diário para o resto da vida de um paciente.“Incentivos devem ser criados para reinventarmos a era prolífica na descoberta de antibióticos, como no período de 1940-1960″, disse Chan.

Lam espera que sua pesquisa inovadora possa encorajar as empresas farmacêuticas a investir. “Eu espero que atraia algum interesse, porque o que nós descobrimos é bastante diferente de antibióticos”, diz ela.“As pessoas me dizem por favor, trabalhe mais para que possamos ter uma solução que seja colocada no mercado. Mas eu sempre digo que, em pesquisa, precisamos ter muita paciência, pois ainda há um longo caminho a percorrer. “

O Professor Greg Qiao, orientador no Doutorado de Lam, diz que o projeto é um dos maiores avanços científicos que ele tem presenciado em seus 20 anos na universidade de Melbourne. Mas ele adverte que ainda se encontra nos estágios iniciais e vai precisar de pelo menos mais cinco anos para se desenvolver, a menos que muitos milhões de dólares possam ser investidos para que o processo possa ser acelerado. Um imenso trabalho interdisciplinar ainda é necessário para reduzir ainda mais a toxicidade e trabalhar para encontrar a melhor maneira de administrar o tratamento, seja por comprimido ou injeção.

Professor Qiao acrescenta: “A notícia realmente boa é que, no momento, se você tem a presença de uma superbactéria, fora os antibióticos, não há muito que se possa fazer. Temos, ao menos, uma alternativa agora.”

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Global Burden of Disease Study 2013: estudo mostra impacto da hepatite viral no mundo

matéria na íntegra, do site news.med.br

Com as recentes melhorias em vacinas e tratamentos contra a hepatite viral, uma melhor compreensão do ônus desta patologia faz-se necessária para informar as estratégias de intervenção globais na prevenção de doenças.

Foram utilizados dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) Study para estimar a morbidade e mortalidade da hepatite viral aguda, cirrose e câncer de fígado causados pela hepatite viral – por idade, sexo e nacionalidade – entre 1990 e 2013.

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O estudo, com publicação online pelo periódico The Lancet, estimou a mortalidade por meio de modelos de história natural para infecções de hepatite aguda e modelo de conjunto de causa da morte do GBD para cirrose e câncer de fígado. Foi usada meta-regressão para estimar a prevalência total de cirrose e de câncer de fígado, bem como a proporção de cirrose e câncer de fígado atribuíveis a cada causa. Estimou-se a prevalência causa específica como o produto da prevalência total e da proporção atribuível a uma causa específica. Os anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) foram calculados, assim como a soma dos anos de vida perdidos (YLLs) e os anos vividos com incapacidade (YLDs).

Entre 1990 e 2013, as mortes globais por hepatite viral aumentaram de 0,89 milhões a 1,45 milhões; YLLs de 31 milhões a 41,6 milhões; YLDs de 0,65 milhões a 0,87 milhões e DALYs de 31,7 milhões a 42,5 milhões. Em 2013, a hepatite viral foi a sétima causa de morte em todo o mundo, em comparação com o décimo lugar em 1990.

A hepatite viral é uma das principais causas de morte e de incapacidade em todo o mundo. Ao contrário da maioria das doenças transmissíveis, a carga absoluta e a posição relativa da hepatite viral cresceram entre 1990 e 2013. O enorme dano à saúde atribuível à hepatite viral e a disponibilidade de vacinas e de tratamentos eficazes sugerem uma importante oportunidade para melhorar a saúde pública.

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Câncer do Intestino – Estudos apontam menor necessidade de uso da bolsa de colostomia

(Traduzido e adaptado do artigo do jornalista James Gallagher, editor de Saúde da BBC website, Chicago/IL)

Um estudo apresentado no ASCO (Congresso da Amercian Society of Clinical Oncology), maior congresso sobre câncer no mundo, mostra que o uso de stents antes da cirurgia diminui o risco cirúrgico e, consequentemente, a necessidade de uso de bolsa de colostomia. Por ser um dispositivo de coleta de fezes, a simples possibilidade de uso da bolsa, assusta os pacientes, encontrando enorme resistência.

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São diagnosticados anualmente cerca de 1,4 milhões de casos de câncer de intestino no mundo. Na Inglaterra, a grande maioria dos cânceres de intestino passam despercebidos, até que se tornem casos de emergência cirúrgica. O risco destas cirurgias não planejadas é muito maior do que uma cirurgia de rotina, pois a saúde geral do paciente está pior e o inchaço provocado pelo bloqueio inviabiliza a cirurgia laparoscópica.  E nem sempre um especialista está presente para uma intervenção mais invasiva. Nesses casos, a taxa de mortalidade sobre de 2% para 12%.

Intestino Distendido

Feita a remoção do tumor, os cirurgiões são menos propensos a dilatar novamente o intestino. Uma parte do cólon se encontra bastante distendida, enquanto outra completamente prejudicada pelo tumor. Caso não seja possível reverter seu funcionamento, a necessidade de uso de bolsa de colostomia é enorme. Um estudo com 250 pacientes realizado pelo Cancer Research UK tratou a metade do grupo com cirurgia convencional e a outra metade por meio de uma nova abordagem de desobstrução do intestino: o cirurgião, com a ajuda do endoscópio, localiza a obstrução, onde é imediatamente colocado um stent. Na colocação, o stent tem apenas 3mm de diâmetro, porém em 48 horas, o dispositivo se expande até atingir 2,5cm de diâmetro, abrindo a passagem do cólon. Só então o tumor é removido, uma vez que o paciente está livre da obstrução.

Entre os dois tipos de procedimento, não foram observadas diferenças na taxa de sobrevivência. Porém foram gritantes as diferenças entre a decisão pelo uso da bolsa de colostomia e pelo não uso, foi gritante. Dos pacientes onde a abordagem foi a cirurgia de emergência, 69% precisaram da adoção de bolsa de colostomia, enquanto que os pacientes onde foi adotado o procedimento com stent, o uso da bolsa caiu para 45% dos casos.

“Enorme melhoria”

O Professor James Hill conduziu o estudo em Hospitais da Universidade de Manchester e diz: “Culturalmente os médicos temem que o bloqueio do intestino possa aumentar a chance do câncer se espalhar, porém nossos resultados iniciais não apontam pra isso. Também estamos satisfeitos por vermos que esta pode ser uma forma de reduzirmos o risco daqueles pacientes que precisam de bolsa de colostomia após a cirurgia. Estamos falando de mais qualidade de vida no dia a dia dos pacientes. Estes foram apenas os primeiros resultados, mas o trabalho se se prolongará pelos próximos 3 anos para saber se a abordagem afeta a sobrevivência e os cuidados necessários para paciente terminais.”

Debora Alsina, Diretora Executiva do Bowel Cancer UK, considera os resultados são promissores. “É especialmente reconfortante observar que o uso de um stent não aumenta as chances de que o câncer se espalhe.”, diz ela. “No caso dos pacientes que precisam de uma bolsa, é possível viver bem com uma. Mas aqui temos uma maioria de pacientes que passam a viver sem a necessidade de um estoma permanente. A bolsa de colostomia é, na maioria das vezes, um dispositivo que assusta as pessoas. Assim, da mesma forma como festejamos os resultados do estudo, no longo prazo, vamos precisar pesquisar muito mais.”

Martin Ledwick, do Cancer Research UK, declara: “Este tratamento não serve para todos e sim para aqueles cujo impacto poderá ser muito maior em suas vidas pós-cirurgia. A não necessidade de uma bolsa de colostomia tem um impacto significativo na qualidade de vida desses pacientes.”

Ponto de Vista

Por Doutor Anderson Freitas da Silva, Médico, Endoscopista e Diretor Clínico do Hospital VivalleAnderson Rede D’or (São José dos Campos/SP). 

“A importância desse estudo está no papel de ponte exercido pelo stent em um caso onde o paciente obstruído e com um tumor entra no pronto socorro para atendimento de urgência. Normalmente, um paciente nessa situação entra e é imediatamente encaminhado à cirurgia. O Cirurgião opera e instala a bolsa de colostomia, para dali algumas semanas, reoperar o paciente, tirar a bolsa e religar o intestino. O estudo mostra aponta para a possibilidade de, numa primeira abordagem, ao invés de operar o paciente, colocar um stent, eliminando a obstrução. Depois de algumas semanas, o cirurgião opera o paciente, retira o tumor e reconstitui o trânsito intestinal, diminuindo assim a necessidade de uma colostomia. Ainda que, conforme o artigo,  as pesquisas devam continuar, sem dúvida a técnica permite um ganho enorme em termos de risco e qualidade de vida, na abordagem desse tipo de paciente.”

 

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