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Fórum SINDUSFARMA discute perspectivas para 2018 e 2019

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Em 20 de junho de 2018 o SINDUSFARMA promoveu o evento “Fórum Expectativas 2019”. O encontro contou com a presença de diversos profissionais do setor farmacêutico, um dos mais importantes “fiéis de balança” quando é necessário analisar o comportamento do mercado de saúde brasileiro.

Crescimento acontecerá, mas com números realistas

Nelson Mussolini, Presidente do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo) e um dos líderes mais respeitados, abriu o fórum declarando ser muito arriscado fazer prognósticos para os próximos 90 dias. Andréas Strakos, consultor do SINDUFARMA, ponderou que o cenário, antes da greve dos caminhoneiros de maio, era mais otimista. A indústria farmacêutica prevê crescimentos de 6,7% em unidades e 8,3% em valores para 2018. E 2019 não será um ano muito diferente. Trabalham com crescimentos de 7 a 9%, podendo esses números serem menores.  Bruno Abreu ressaltou que, dentre os prognósticos em política de preços desse setor, segue pesando a grande carga tributária sobre os medicamentos (31% no Brasil contra 6% no restante do mundo).

Segundo Felipe Abdo, Diretor da IQVIA (atendimento médico-hospitalar, junção das empresas Quintiles e IMS Health) abordou o crescimento de cerca de 10% do mercado farmacêutico nos últimos 4 anos e que esse crescimento tem sido afetados pelos altos e baixos das sucessivas crises. Este momento tem alterado consideravelmente a forma como as pessoas compram medicamentos e serviços, optando, por exemplo, por meios digitais.

Nota do Infoco: O cenário descrito reforça a necessidade de empresas e profissionais terem cada vez mais absoluto controle na gestão de suas despesas e focarem seus investimentos na busca de clientes: seja na manutenção dos que já são clientes, seja na prospecção de novos. Junto a isso, ofertar serviços que diferencie e que sejam percebidos como valor agregado. A atitude típica de muitos empresários, em cenários como este, é puxar o freio de mão,  desinvestir, esperando que o mercado se acomode e que o vento mude. Ótima área de oportunidade para que os mais visionários e ousados ponham a cabeça para fora, apostando num mercado acuado e incerto. Cria-se o paradoxo de que investir é arriscar em mar revolto e incerto, correto? Isso mesmo, pois ficar parado é assumir risco proporcionalmente muito parecido. Estamos num momento em que pensar pequeno, definitivamente, não é uma opção. 

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

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Decisão do STJ libera genérico de remédio que custa R$ 17 mil a unidade

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A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça tornou pública a patente do remédio Soliris, único no mundo para tratar doença genética rara que afeta o sistema sanguíneo. Cada unidade do produto feito pela farmacêutica americana Alexion custa cerca de R$ 17 mil aos cofres públicos, já que o produto não é vendido nas farmácias e é disponibilizado apenas pelo Sistema Único de Saúde. Remédios cuja patente expirou podem ter concorrência de genéricos, decide STJ.

A relatora do caso foi a ministra Nancy Andrighi. Para ela, patentes de medicamentos e de produtos químicos registradas entre janeiro de 1995 e maio de 1996 (caso do Soliris) já expiraram, o que possibilita a concorrência de genéricos. O intervalo se refere ao período entre a assinatura de acordo internacional de proteção à propriedade intelectual (Trips, na sigla em inglês) e o início da vigência da legislação brasileira de propriedade intelectual. A ministra explicou no voto que a proteção da patente nesses casos é assegurada por 20 anos contados da data do depósito. A decisão foi unânime.

A empresa questiona no recurso analisado pelo STJ a anulação da patente pedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial e acatada pelas instâncias judiciais ordinárias. “Tratando-se de medicamentos, adiar a entrada em domínio público das invenções significa retardar o acesso ao mercado de genéricos, causando, como consequência, o prolongamento de preços mais altos, o que contribui para a oneração das políticas públicas de saúde e dificulta o acesso da população a tratamentos imprescindíveis”, disse a ministra.

A ministra cita estudo do Conselho Administrativo Brasileiro de Defesa Econômica que aponta que os preços dos medicamentos sem patente caem em média 66%. “A extensão indevida de prazos de vigência, como na hipótese, impõe sensíveis custos a maior para seus adquirentes”, disse Nancy.

Segundo a Advocacia-Geral da União, que representou o INPI no caso, o SUS gastou R$ 613 milhões com a compra do medicamento em 2016, que foi utilizado para tratar 442 pacientes diagnosticados com Hemoglobinúria Paroxística Noturna, que pode impor ao paciente a necessidade de transfusões de sangue periódicas. A enfermidade destrói os glóbulos vermelhos do sangue, causando anemia, fadiga, dificuldade de funcionamento de diversos órgãos, dores crônicas, urina escura, falta de ar e coágulos sanguíneos.

fonte: site Consultor Jurídico – por Marcelo Galli, dia 20 de abril de 2018 (matéria na íntegra)

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Alzheimer: exame de sangue poderia prever risco da doença

Veja online – Saúde (08 de março, 2018 – artigo na íntegra)

Um novo estudo concluiu que moléculas presentes no sangue podem indicar se a pessoa tem baixo ou alto risco de desenvolver demências.

Em um novo estudo publicado no periódico científico Alzheimer’s & Dementia, pesquisadores identificaram no sangue moléculas que podem servir como biomarcadores precoces do risco de Alzheimer. Este é o primeiro estudo a sugerir que a presença de elevados níveis de aminoácidos de cadeia ramificada podem indicar baixo risco de demência.

“Agora está claro que precisamos olhar para além dos caminhos tradicionalmente

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Sudha Seshadri – Pesquisadora e Professa do departamento de Neurologia da Boston University e líder do estudo.

 estudados da amiloide e da tau e entender todo o espectro de patologia envolvida em pessoas que apresentam sintomas de doença de Alzheimer e outras demências”, observa Sudha Seshadri, professor de neurologia e líder do estudo.

De acordo com Sudha Seshadri, professor de neurologia e líder do estudo, há uma necessidade crescente de abordar a prevenção e o tratamento das demências com uma “abordagem de múltiplos elementos”, já que essa não é uma doença com uma única causa. Finalmente os cientistas então começando a olhar para outros órgãos e tecidos, não só para o cérebro, em busca de marcadores da doença.

A conexão entre sangue e demência

No estudo, cientistas da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos, analisaram dados de oito estudos que acompanharam grandes grupos de pessoas de origem europeia em cinco países, por um longo período. Eles também tiveram acesso a exames de sangue iniciais e registros da incidência da doença de Alzheimer ou outras formas de demência nesses grupos.

Desta forma, eles foram capazes de analisar amostas de sangue basais de 22.623 participantes que não apresentavam demência no início do estudo e também não tinham antecedentes de AVC ou “outras doenças neurológicas que afetem a função cognitiva”. No total, 995 casos de demência e 745 casos de Alzheimer foram detectados durante o acompanhamento.

Usando ressonância magnética nuclear e espectrometria de massa, os pesquisadores identificaram e quantificaram “metabolitos sanguíneos, lipídios lipoproteicos e lipídios” nas amostras basais de sangue. Os resultados mostraram que algumas das moléculas presentes nessas amostras estavam associadas a um menor risco de demência e doença de Alzheimer, enquanto outras estavam associadas a um maior risco.

Várias moléculas

O menor risco de demência foi associado a: aminoácidos de cadeia ramificada isoleucina, leucina e valina; creatinina; e duas subclasses de lipoproteínas de baixa densidade (VLDL). O risco de Alzheimer inferior foi similarmente relacionado a aminoácidos de cadeia ramificada.

Os aminoácidos de cadeia ramificada são nutrientes essenciais para o corpo obtidos a partir de alimentos ricos em proteínas, como carne e legumes.

Já o aumento do risco de demência foi associado a uma lipoproteína de alta densidade (HDL) e a uma subclasse VLDL. E o de Alzheimer, a uma subclasse HDL.

Eles esperam que esses achados ampliem a busca de novos medicamentos, tão necessária para a doença de Alzheimer e outras formas de demência. “É emocionante encontrar novos biomarcadores que possam nos ajudar a identificar pessoas que estão no maior risco de demência”, disse Seshadri.

Alzheimer e outras demências

A demência é uma doença que afeta o cérebro e gradualmente rouba a capacidade de um indivíduo lembrar, pensar, argumentar, se comunicar e cuidar de si mesmo. O Alzheimer é a forma mais comum do problema. Cerca de 47 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, 65% delas com doença de Alzheimer.

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Venda de remédios no país deve crescer 8% neste ano

fonte: Publicado em 16/02/2018 por Valor Online

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Nelson Mussolini, do Sindusfarma: “Ano eleitoral não é fácil para o setor, mas confiamos no crescimento do país” Depois de crescerem 11,5% em receita em 2017, acima do esperado pela indústria farmacêutica, as vendas de medicamentos no mercado brasileiro devem desacelerar neste ano e mostrar expansão de cerca de 8% até dezembro. “Ano eleitoral nunca é fácil para o setor, mas estamos confiantes no crescimento do país, para minimizar as pressões de custos e a queda da lucratividade”, diz o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

Diante da baixa inflação, os laboratórios já sabem que o reajuste anual autorizado pelo governo federal para os preços de medicamentos em 2018 será um dos menores dos últimos anos. Ao mesmo tempo, em períodos eleitorais, o poder público se esforça para que não falte remédio à população, mas ações de responsabilidade fiscal podem atrapalhar essa meta, bem como as negociações com a indústria farmacêutica. “Os custos de produção continuam comprimindo as margens e a pressão do Ministério da Saúde para reduções de preços pode afetar ainda mais a lucratividade das empresas”, afirma o executivo, que vê como fundamental, para o setor e para a economia no geral, que o equilíbrio das contas públicas seja perseguido pelo governo e que as reformas, principalmente a da previdência, sejam aprovadas.

No primeiro mês do ano, as vendas de remédios nas farmácias brasileiras cresceram em receita e em volume na comparação anual, mas ficaram abaixo do verificado em dezembro. Segundo dados da consultoria IQVIA (ex-Quintiles IMS), no mês passado foram vendidas no país 319,7 milhões de unidades, alta de 9,8% frente a janeiro de 2017. Em relação a dezembro, a baixa foi de 3,5%. Em 12 meses, o crescimento acumulado foi de 6,1%. “Certamente, o mês de fevereiro não será melhor, pois teremos um menor número de dias úteis, o que impacta nosso negócio”, observa Mussolini. Em receita, considerando-se os descontos concedidos (PPP, do inglês Pharmacy Purchase Price), as vendas subiram 13,6% em janeiro, na comparação anual, para R$ 4,73 bilhões, mas caíram 4,5% ante dezembro. No acumulado de fevereiro ao primeiro mês deste ano, o crescimento foi de 11,5%. Em todo o ano passado, a receita no varejo farmacêutico cresceu os mesmos 11,5% vistos até o mês passado, enquanto em unidades a alta foi de 6,12%.

O crescimento de cerca de 10% do faturamento líquido da indústria, pondera o presidente do Sindusfarma, não significa que o setor esteja “navegando por águas tranquilas”. “As vendas em unidades não têm acompanhado a espiral demográfica, o que é sempre um problema quando se olha para o futuro”. Os dados da IQVIA mostram ainda que os genéricos se mantêm como motor da expansão das vendas de medicamentos. Em janeiro, foram vendidas cerca de 105 milhões de unidades de genéricos no país, alta de 12,3% na comparação com o mesmo mês de 2017. Ante dezembro, porém, houve queda de 3,3%. Em receita, as vendas de genéricos subiram 17,7% no primeiro mês do ano, na comparação anual, para R$ 630,6 milhões, mas caíram 4,29% frente a dezembro. Segundo previsão da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o reajuste autorizado pelo governo neste ano deve ficar entre os mais baixos dos últimos 13 anos. Conforme a entidade, o menor índice médio de reajuste desde 2005 foi de 1,49%, em 2007, seguido por 2,18% em 2012. Nesses anos, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até março, que é usado na fórmula de preços, foi de 3,02% e 5,85%, respectivamente – para se ter uma ideia aproximada, em 2017, o IPCA ficou em 2,94%.

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Especialista alerta para consumo excessivo e desregulado de melatonina no Brasil

Disponível em farmácias graças a decisão judicial, substância pode ajudar qualidade do sono, mas tem sido prescrita para fins diversos; se usada em excesso, pode desencadear diabetes e outros problemas.

(fonte: G1, 29 de janeiro de 2018 – matéria na íntegra).

A melatonina, substância conhecida por sua função de induzir o sono, não tem registro no Brasil como medicamento. No entanto, pode ser encontrada desde 2017 em farmácias de manipulação após uma decisão judicial contrariar resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e autorizar sua importação. Seu consumo tem sido considerado excessivo por especialistas, que apontam os riscos de efeitos colaterais.

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“É muita gente tomando e muito médico prescrevendo”, afirma José Cipolla Neto, professor de fisiologia no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pesquisador sobre os efeitos fisiológicos e mecanismos de ação da melatonina.

Trata-se de um hormônio naturalmente produzido pela glândula pineal, uma pequena glândula endócrina localizada próxima da região central do cérebro. O papel mais comum da melatonina é sinalizar para os órgãos humanos que a noite chegou e preparar o organismo para adormecer. Por isso, é comumente usada por insones para melhorar a qualidade do sono.

Mas a substância também tem papel no controle da ingestão alimentar, na síntese e na ação da insulina nas células, entre outros. Por seu efeito variado, o hormônio caiu no gosto de pessoas em diversos países.

Na internet, é ofertado para auxiliar no emagrecimento, no combate ao diabetes, no controle de enxaqueca e até mesmo na proteção contra os danos do mal de Alzheimer – embora não haja consenso científico sobre esses supostos benefícios.

Apesar de necessária ao organismo, a substância tem contraindicações. De acordo com a Anvisa, “há riscos associados à utilização da melatonina que não podem ser ignorados”: o consumo de medicamentos contendo a substância pode causar inchaço da pele, boca ou língua, perda de consciência, depressão, irritabilidade, nervosismo, ansiedade, aumento da pressão arterial e função anormal do fígado, entre outros problemas.

Abuso

Mas as possíveis efeitos negativos do consumo do hormônio não espantam interessados. Somente nos Estados Unidos, onde o produto é vendido como suplemento alimentar e pode ser encontrado em grandes supermercados, pelo menos 3 milhões de pessoas consomem a substância frequentemente.

De acordo com estimativas do Centro Nacional para Saúde Complementar e Integrada do governo americano, o uso de melatonina mais que dobrou entre 2007 e 2012, mesmo com a ausência de informações suficientes sobre seus efeitos no longo prazo nem consenso sobre sua eficácia como indutora do sono. No Brasil, a Anvisa diz não ter dados de consumo ou de venda. A Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que responde pelas farmácias de manipulação, disse que também não tem estimativas.

Para Cipolla Neto, o cenário é de uso em excesso e, em alguns casos, de abuso. “Nos EUA tem muita gente tomando indiscriminadamente, o que é uma tragédia, e nós estamos indo para esse mesmo cenário aqui“, diz. Segundo ele, a liberação de um medicamento nacional ajudará a Anvisa a ter mais controle sobre o consumo.

“A questão é criar (a percepção de) que não é uma balinha e que precisa ser administrada de forma adequada. Do contrário, pode trazer consequências sérias“, afirma.

No Brasil, pacientes podem comprar formulações preparadas pelas farmácias de manipulação, desde que com receita médica. De acordo com a Anfarmag, os remédios manipulados podem ser preparados em cápsulas ou em formas farmacêuticas líquidas. Não há padrão para as doses, que são definidas pelos médicos caso a caso. Desde 2017, esses estabelecimentos compram o insumo farmacêutico ativo da empresa Active Pharmaceutica Ltda. – ME, que vem importando a substância para o Brasil após vencer ação contra a Anvisa e conseguir a liberação de maneira judicial.

Em nota, a Anvisa disse que resolução do órgão proíbe “a importação e comercialização de insumos farmacêuticos destinados à fabricação de medicamentos que ainda não tiverem a sua eficácia terapêutica avaliada” pela agência e que “não é possível comercializar melatonina como insumo farmacêutico ativo no Brasil”.

Questionado sobre a atividade da Active Pharmaceutica Ltda. – ME, o órgão não respondeu se recorreu ou se irá recorrer da decisão. De acordo com a agência, medicamentos só recebem registro no país após ensaios clínicos comprovarem sua segurança e eficácia. No momento, pelo menos um laboratório brasileiro faz ensaios clínicos com a melatonina.

Em agosto de 2016, o Aché Laboratórios Farmacêuticos recebeu o aval da agência para fazer testes com o fármaco. Questionada sobre quando espera submeter resultados a Anvisa e se espera desenvolver um produto comercial a partir dos estudos, a empresa não respondeu.

A melatonina começa a ser produzida pelo organismo por volta das 20h, e uma das primeiras sensações que provoca é a de sono. Seus efeitos, contudo, também são sentidos no metabolismo, que se modifica para entrar em jejum; no sistema cardiovascular, que irá reduzir a pressão arterial; e na temperatura corpórea, entre outros, para o corpo adentrar o sono.

Porém, se tomada em excesso e fora do horário de produção natural pelo organismo, pode desencadear doenças crônicas, como diabetes. “A quantidade que precisa ser administrada para o paciente no começo da noite não pode ser grande o suficiente para permanecer (no organismo) durante o dia. Do contrário, pode trazer resistência insulínica pela manhã para o indivíduo, o que significa iniciar o desenvolvimento de um quadro diabético”, explica Cipolla Neto.

Uma das indicações comuns da melatonina é para idosos. O envelhecimento reduz naturalmente a produção da substância e, nesses casos, é recomendada a sua reposição. “Após certa idade, a glândula pineal reduz a produção de melatonina, às vezes até 20% do que quando jovem”, afirma o médico.

No entanto, pessoas jovens vêm usando o medicamento cada vez mais cedo, em parte para combater a insônia crescente, exacerbada pela exposição prolongada a equipamentos eletrônicos. “A produção normal de melatonina só existe em condição de noite escura”, explica.

Porém, a presença da luz azul em celulares e computadores sinaliza ao organismo que ainda é dia e, com isso, pode atrasar a produção do hormônio, gerando dificuldades para dormir. “A sociedade está ficando acostumada a isso, com pessoas reduzindo a produção de melatonina.”

Ao mesmo tempo, na USP de Ribeirão Preto, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas estuda outras aplicações para a melatonina. Uma das linhas de pesquisa é o uso do hormônio em doses terapêuticas para evitar lesões cardiovasculares em pacientes portadores da doença de chagas.

O mal é transmitido a partir do contato com as fezes dos insetos vetores, conhecidos como “barbeiro”, e pode virar uma condição crônica. A consequência mais grave são lesões no coração, causadas pela resposta imunológica do organismo – as células de defesa agem de maneira intensa para exterminar o parasita causador da doença, mas também machucam o órgão.

“A melatonina age nas nossas células brancas e promove resposta inflamatória potente”, explica José Clóvis do Prado Júnior, professor-associado do Departamento de Análises Clínicas Toxicológicas e Bromatológicas da faculdade.

A substância também induz uma resposta imunológica anti-inflamatória e ajuda a proteger o coração na fase crônica da doença de chagas, explica o pesquisador. “Fizemos controle de paciente chagásico com e sem melatonina. Naqueles que receberam a melatonina, os marcadores de lesão cardíaca mostravam lesões menores”, diz.

O estudo foi feito com animais e testes clínicos com humanos devem ser feitos em breve. Prado Júnior espera que pesquisas como a sua, que comprovem os benefícios da melatonina, auxiliem na liberação da substância no país. “Se essas pesquisas mostrarem benefícios no paciente chagásico, acredito que a Anvisa irá liberar.”

Para o pesquisador, ainda há muito a ser descoberto sobre o hormônio, alvo de ensaios entre médicos gregos ainda no século 1.

“A melatonina é quem regula tudo, a hora que cada hormônio deve entrar em ação. Filósofos antigos (Descartes) achavam que a glândula pineal era a sede da alma humana porque ela que conduzia os ritmos do organismo. E é ali que está a produção da melatonina.”

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Hospitais dos EUA suprem falta de médico com contratação on-line

(fonte: Bloomberg – matéria na íntegra)

Uma startup financiada pelo ex-CEO da DoubleClick Kevin Ryan está ajudando hospitais a preencherem os cargos temporários necessários para médicos e enfermeiros da mesma forma que o Airbnb preenche camas de hotéis.

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A Nomad Health, uma plataforma on-line que conecta clínicos a hospitais que oferecem empregos de curto prazo, está se expandindo para Nova York nesta quarta-feira, elevando para 10 o número de estados nos quais opera nos EUA. A empresa compete com agências de emprego tradicionais mediante a cobrança de uma taxa fixa de 15 por cento, enquanto outros intermediários normalmente cobram o dobro disso.

“Isso é muito animador porque é uma forma de realmente testar nossa plataforma em diversos cenários de prática”, disse o CEO da Nomad, Alexi Nazem, 35, que tem diploma de Medicina pela Universidade de Yale e MBA em Harvard.

A força de trabalho do setor de saúde dos EUA está sob pressão porque o envelhecimento populacional e o rápido aumento no número de pacientes com cobertura médica criam uma procura maior. Em 2030, poderiam faltar mais de 100.000 médicos, segundo estudo divulgado em março do ano passado pela Associação Americana de Faculdades de Medicina.

As clínicas muitas vezes lidam com a falta de pessoal — como médicas que tomam licença-maternidade – por meio da contratação de pessoal de curto prazo, prática conhecida pelo termo latino locum tenens. Um relatório da Staff Care, uma provedora de trabalhadores de curto prazo para hospitais, apontou que 94 por cento dos gestores de instalações de saúde reportaram o uso de médicos por prazos curtos em 2016, 20 pontos percentuais a mais que em 2012.

Nenhuma novidade

A Nomad espera tirar proveito dessa escassez. A empresa com sede em Nova York levantou US$ 4 milhões em financiamento Série A em meados de 2016, um investimento que rendeu à companhia uma avaliação de US$ 20 milhões. Ryan, cofundador do site de notícias Business Insider e da Gilt Groupe, é presidente do conselho.

Os clínicos ou enfermeiros podem usar o Nomad porque são mais jovens e querem trabalho extra para quitar dívidas estudantis ou porque são mais velhos e não querem trabalhar em período integral. Atualmente, mais de 30.000 profissionais clínicos usam a plataforma, e a expansão para Nova York será iniciada com mais de 2.000 médicos com licença estadual e mais de 1.000 enfermeiros credenciados.

“Isso costumava ser novidade, mas agora eu diria que faz parte do plano de recrutamento”, disse Phil Miller, vice-presidente de comunicação da agência de recrutamento AMN Healthcare, empresa líder do setor, avaliada em US$ 2,5 bilhões. “A maioria das instalações que usam locum tenens preferiria ter médicos permanentes, mas, nas circunstâncias atuais, muitas utilizam essa ferramenta.”

Três anos atrás, foram necessários 10 meses para que Nazem conseguisse um trabalho de curto prazo como clínico em Massachusetts. Hoje, sua empresa é capaz de reduzir esse tempo para apenas um dia.

“Este é um ótimo momento para começar a apresentar esse tipo de serviço porque as pessoas, além de estarem desesperadas para encontrar soluções melhores, também estão acostumadas a ter esse nível de praticidade em quase todos os outros aspectos da vida”, disse Nazem.

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Rol da ANS melhora tratamento do câncer de pulmão

O tratamento contra esse tipo de tumor, o mais mortal no mundo, vai melhorar no Brasil. Especialista explica o porquê.

(fonte blog “Com a Palavra” – Saúde, matéria na íntegra) 

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Estima-se que, até 2029, o câncer vai superar as doenças cardíacas e se tornar a principal causa de morte no país. Em Porto Alegre, é provável que isso ocorra já em 2018, tornando a capital gaúcha a primeira grande cidade do Brasil a observar esse fenômeno.

Apesar dos diversos avanços no tratamento do câncer alcançados nas últimas décadas, como no caso dos tumores de mama, a mortalidade por outros tipos, como o de pulmão, continua elevada. Entre outros motivos, isso se relaciona com o diagnóstico tardio e a falta de acesso às terapias inovadoras, que podem beneficiar pacientes aumentando a sobrevida e melhorando o convívio com a doença.

Um novo remédio passa, em média, dez anos em estudo antes de chegar ao mercado. Mas o acesso do paciente a uma terapia inovadora depende, na maioria das vezes, da capacidade do governo e dos planos de saúde em oferecê-la.

Daí a importância da ampliação do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgado em novembro de 2017. A lista, revisada a cada dois anos para atualizar a relação mínima de tratamentos que devem ser oferecidos pelas operadoras de planos de saúde, incluiu 18 novos procedimentos, entre exames, terapias e cirurgias.

Um ótimo exemplo das inserções no rol da ANS em 2018 é uma terapia-alvo indicada para um subtipo do câncer de pulmão: o de não pequenas células com mutação do EGFR. O tumor de pulmão é o que mais mata no Brasil e no mundo, sendo responsável por 18,2% de todas as mortes por câncer. Só no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que, em 2016/2017, foram cerca de 28 220 novos casos (17 330 em homens e 10 890 em mulheres).

A disponibilização pelas seguradoras desse medicamento, batizado de afatinibe, é uma vitória a partir de um intenso trabalho de entidades representativas de pacientes, da classe médica e da indústria farmacêutica junto aos órgãos responsáveis. Ela representa um marco no tratamento da doença em nosso país, porque aumenta o leque de opções para muitas pessoas.

É relevante frisar também que ações simples tomadas por parte da própria população podem melhorar o cenário da doença. Primeiro, precisamos ter atenção especial aos sintomas iniciais do câncer de pulmão, que às vezes se assemelham aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, sem que eles possuam uma origem clara, a pessoa procure orientação médica.

Soma-se a isso a importância do diagnóstico correto do subtipo da doença. O câncer de pulmão possui muitas versões – cada qual com diferentes estratégias de combate. Por isso, ao constatar o problema, o paciente deve sempre passar por testes para identificação exata do subtipo de sua enfermidade, e dessa forma iniciar o tratamento mais adequado.

Novidades como a inclusão do afatinibe no Rol da ANS devem ser celebradas. É dessa forma que poderemos proporcionar aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas, além de uma expectativa maior no sucesso do tratamento.

*Carlos Barrios é oncologista especializado em câncer de pulmão e diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus (Porto Alegre/RS).

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